Clássicos como 'Meu Primeiro Amor' e 'ABC do Amor' enfeitam nossas prateleira e nos fazem rir e emocionar ainda nos tempos de hoje. Em época que não se captura mais a magia de uma das épocas mais inesquecíveis das nossas vidas, o diretor Rob Reiner retorna no filme 'O Primeiro Amor', tornando-o, desde já, um clássico do gênero.
O Primeiro Amor conta o relacionamento entre dois vizinhos e colegas de escola, a menina Juli e o garoto Bryce, dos 7 aos 13 anos. Juli apaixona-se instantaneamente por Bryce assim que o caminhão de mudança chega ao bairro; Bryce demora seis anos para descobrir a garota inteligente, generosa e linda que Juli é e, finalmente, sentir o mesmo amor. A história é contada do ponto de vista de ambos, alternadamente, criando aos poucos o universo interior dos dois, e a evolução de atitudes de meninas e meninos com relação ao sexo oposto.
O que torna O Primeiro Amor um filme tão peculiar e diferente é a maneira como Rob Reiner resolveu contar a história. Somos introduzidos ao filme pelos pensamentos e olhos de Bryce (Callan McAuliffe) e depois as mesmas cenas que são mostradas pelos olhos e pensamentos de Juli (Madeline Carroll). A história vai e volta e, as emoções e os sentimentos dos dois personagens são relatados nas mesmas cenas, mostrando a visão do menino e da menina no filme. Se fosse nas mãos de outro diretor, 'O Primeiro Amor' passaria a ser uma obra cansativa e desinteressante, no entanto nas mãos experientes de Reiner o filme se torna uma obra deliciosamente delicada e divertida de se acompanhar. Adaptar a história para os anos 60 é outro ponto forte do filme. Levar o público de volta para um ano mais 'charmoso', torna a trama mais gentil e apreciável.
A dupla de atores, Callan McAuliffe e Madeline Carroll, possui uma inegável química em cena. Madeline faz uma doce, gentil e amorosa Juli. Carroll parece se identificar com o personagem, é confortante vê-la atuando em cena, as lições que a personagem aprende e seu amadurecimento são representados de forma brilhante pela atriz. Callan faz um Bryce confuso em relação aos seus sentimentos, tímido e de bom coração. O personagem de McAuliffe é quase que um espelho, reflete bem os sentimentos que um menino na sua idade têm, não é tão amadurecido como Juli, mas evolui muito ao decorrer do filme e McAuliffe acerta no timing de atuação. Afinal uma coisa que seu avô lhe diz é o quanto Bryce teria sorte em ter Juli ao seu lado, talvez Bryce já soubesse, mas este precisava amadurecer para perceber o que já fica claro para o expectador. Outro destaque do filme é maravilhosa trilha sonora, que só ajuda aos espectadores a entrar no clima deste inesquecível momento de nossas vidas.
O que prevalece no final do filme é simplesmente a descoberta do primeiro amor. Apesar das constantes dúvidas que os personagens possuem, o amor é assim mesmo: simples e complexo, cheio de antônimos e sinônimos. E é exatamente isso que torna 'O Primeiro Amor' um filme delicado e charmoso, que infelizmente não chegou nas telonas por aqui, mas que é um achado nas prateleiras das locadoras, e este filme é o que melhor representa o clássico e esquecido gênero.































