sexta-feira, junho 14, 2013

Jake Bugg no Playlist


19 anos, é de Nottingham, Inglaterra e com grande influencia dos irmãos Gallagher, esse é Jake Bugg. O menino inglês, a grande revelação da música britânica no último ano, que está ficando mais conhecido pelas opiniões fortes e polêmicas, do que infelizmente pela sua música.

O cantor, que foi escolhido por Noel Gallagher para abrir os shows de sua turnê mundial, e que atualmente está em turnê com seu álbum de estreia e que têm a autoria do rapaz, o autointitulado Jake Bugg (2012), tem em seu repertório músicas que passam pelo rock, o folk, que conta até mesmo com uma bela balada (Broken), misturados a um britpop desencanado, o que reafirmar o talento do menino como compositor. 

Musicalmente, em seu álbum de estreia, podem-se notar inúmeras influências externas de outros artistas como Bob Dylan e o próprio Oasis. Outra coisa que destaca-se no rapaz são seus vocais rasgados e ruidosos, que em alguns momentos lembram Alex Turner, do Arctic Monkeys.

O primeiro álbum causa expectativa sobre o futuro do jovem, que vai precisar mostrar em seu próximo trabalho uma identidade definida, algo que ainda não ficou evidenciado em seu primeiro disco. A melhor qualidade do menino é que em nada ele se parece com os atuais "astros" pré-fabricados, e fazendo uma música que mexeu com a juventude de outros tempos, o jovem de Nottingham tem um longo e promissor caminho nessa indústria.

Confiram a ótima Two Fingers!

terça-feira, junho 04, 2013

Quando a TV superou o Cinema - Game of Thrones: "The Rains of Castamere"

The North Remembers!


É interessante como cada vez mais a televisão vem crescendo no universo cultural. Séries como Sherlock da BBC, In The Flesh da BBC 3, The Walking Dead da AMC, e séries do acervo do canal HBO vem superando cada vez mais o cinema atual, ao apresentar series com roteiros mais elaborados, uma excelente produção técnica e atores e atrizes desconhecidos, mas que são igualmente ou mais talentosos que aqueles atores e atrizes hollywoodianos. 

Game of Thrones, série de TV produzida pela HBO e baseada nos livros do escritor George R. Martin, mostrou Domingo à noite, 2, ao exibir simultaneamente com os USA o penúltimo episódio da terceira temporada da série, o porquê dessa hegemonia televisiva em relação aos filmes que estão entrando em circuito atualmente.

Quem já acompanhava os livros, ainda na primeira temporada, falou "Oh, espere" quando o personagem Ned Stark teve sua cabeça decapitada, porque eles já sabiam o que iria acontecer na terceira temporada. Mas, se serve de consolo aos que não leram os livros, nem quem já tinha lido ficou imune do mix de emoções e nem do impacto que o episódio, talvez o mais brutal do mundo das séries, apresentou.

"O Casamento Vermelho", que foi retratado no penúltimo episódio desta terceira temporada, é o brutal massacre em que Catelyn Stark (matriarca da família Stark), Robb e Talisa Stark, e seu filho ainda nem nascido, foram cruelmente assassinados pela vingança de Walder Frey e pela traição de Roose Bolton. E como se os eventos ocorridos neste episódio não fossem por si só brutais, ainda teve espaço para mais uma crueldade, ao vê nos olhos e no rosto de uma das personagens mais queridas do livro, Arya Stark, sua esperança de reencontrar o que sobrou de sua família ser destruída. A pequena Stark, que a quase três temporadas e meia estava em busca de sua mãe e de seu irmão mais velho, nunca esteve tão próxima deles quanto neste episódio. E ao presenciar com dor nos olhos e com uma cara de choque a morte do Vento Cinzento, o lobo de seu irmão mais velho, vimos praticamente a aceitação dela de que este encontro nunca mais iria acontecer. Arya, ali, era os nossos olhos e ouvidos.

Como uma grande admiradora da sétima arte foi com alegria e tristeza que assisti a esse episódio. Alegre por ver que a televisão vem apresentado cada vez mais séries e episódios com qualidade superiores que os filmes que estão entrando em cartaz atualmente, e com tristeza por desejar que aquele antigo cinema, com obras como "Um Corpo que Cai" de Alfred Hitchcock, "Táxi Driver" de Martin Scorsese e dentre outros, eram os filmes que estavam entrando no circuito. Claro que ainda hoje existem obras que são soberbas, que não se preocupam somente com o êxito de bilheteria. Filmes de diretores que não veem o cinema como um produto comercial, mas sim cultural. 

É aí aonde entra a obra de Martin, e a série derivada destes livros. Muitos passaram a criticar o escritor, depois que viram três personagens importantes do livro ser mortos, de que ele escreve o livro para "chocar". Algo totalmente equivocado de se dizer. A obra de Martin vai além de seus personagens; sua maior preocupação foi com a história a ser contada, em como fazê-la ser melhor. Nunca foi sobre seus personagens. Isso não quer dizer que ele não os ame claro que ama, mas nunca nenhum deles se tornou ou foi maior do que aquilo que ele queria contar. E é incrível e admirável existir hoje em dia alguém assim, que não tem receio em fazer aqueles personagens que escreveu sofrer ou morrer para que sua obra tivesse um desenvolvimento melhor.

Como se os livros por si só já não fosse bem escritos e rico em detalhes, a série é igualmente excelente, e talvez a melhor sendo exibida atualmente. Os roteiristas apresentaram um roteiro extremamente bem elaborado, com falas afiadas e inesquecíveis. Assim como toda a produção. Tudo técnico estava simplesmente perfeito, do começo da cena até o final, onde o silêncio permeou os créditos finais deste episódio. Mas, o que mais foi memorável neste episódio foi a atuação de Richard Madden, Michelle Fairley e Maisie Williams, respectivamente Robb, Catelyn e Arya Stark. O primeiro teve uma atuação contida e sofrida, que com um último olhar lançado para a mãe resumiu toda a dor que ele passara, não só a física, mas a interna de vê sua esposa e filho mortos em sua frente. Já a Maisie, esta pequena atriz que é um achado da HBO, conseguiu transmitir tudo que sua personagem passou naquela cena. Não tem como assimilar as emoções desta cena e não se colocar no lugar da Arya, e a jovem atriz fez isso perfeitamente. 

Mas, acredito eu que a atuação mais inesquecível será a de Michelle Fairley (foto). Uma performance entorpecente. A personagem da atriz que já tinha perdido seu marido decapitado, que acreditou ter pedido seus filhos mais novos, Bran e Rickon, e que acreditava que suas filhas, Arya e Sansa, eram prisioneiras em Porto Real (e a última realmente era), que com um olhar vazio e junto dele um grito viu o seu primogênito morrer. Naquele momento, Catelyn não tinha mais nada, e a sua morte já tinha vindo antes com o suspiro de Robb, o que aconteceu depois foi apenas um detalhe.

"The Rains of Castamere" entrou para a história das séries não só como o episódio mais brutal exibido na televisão, mas sim por ter sido um episódio rico em detalhes, em roteiro, em produção e principalmente em atuações, que não só apresentou espaço para um dos acontecimentos mais marcantes do mundo literal, mas como também teve espaço, sem se mostrar fora do contexto, para o desenvolvimento de outros três núcleos. Um episódio marcante não só porque mostrou uma guerra sem honra, mas também porque foi a primeira vez que a televisão ensinou ao cinema a como se fazer uma obra de qualidade.

sexta-feira, maio 31, 2013

Kimi ni Todoke - O Shoujo mais Fofo


Já faz tempo que não indico ou falo sobre animes, aquelas animações japonesas que alegraram minhas tardes na minha infância, aqui no blog. Mesmo com pouco tempo para acompanhar de perto o que está sendo exibido lá na terra do sol nascente, costumo a conferir depois os animes que foram sucesso de público e critica. Dentre os gêneros dos animes/mangás, confesso que não sou a maior fã dos shoujos, que nada mais são que as famigeradas comédias românticas. 

Por mais que o shoujo, de todos os gêneros, seja o que mais se aproxima da nossa realidade, afinal é inevitável não surgir aquele pensamento de que "isso já aconteceu comigo", são poucos que conseguem apresentar um roteiro inteligente, apresentando personagens carismáticos, e ainda conseguir fazer com que o anime não se torne cansativo, tendência que cada vez mais se torna frequente nas atuais animações japonesas.


O Kimi ni Todoke, que tem como tradução livre Que Chegue a Você, conta a história de Kuronuma Sawako, uma menina tímida e que é temida por todos na escola por causa de seu olhar sombrio e assustador. Como não possui facilidade de obter amigos, na escola poucos sabem seu nome apelidando-a de "Sadako", pela familiaridade com seu nome e sua aparência com a personagem do filme "O Chamado". O que não sabem, é que por trás desse olhar assustador, há uma menina meiga, sempre querendo fazer amigos e tentando ser agradável. O único que parece compreendê-la é Kazehaya Shouta, garoto que Sawako admira por ele ser um rapaz agradável e cheio de pessoas à sua volta. Com a ajuda de Shouta, ela consegue driblar muitos obstáculos e a fazer novas amizades, e à medida que a relação dos dois começa a crescer, dela nascerão sentimentos que Sawako não conhecia e estes sentimentos novos a fazem querer conhecer mais de si mesma e dos que estão a sua volta.


Sawako é uma menina muito doce, altruísta e gentil, e a empatia que a protagonista causa no espectador é enorme. Tudo gira em torna de sua ingenuidade, o que a torna realmente uma personagem especial. Acompanhamos o crescimento dela de perto, e é impossível não ficar emocionada com cada riso, lágrima ou a cada novo amigo que Sawako faz. E Kazehaya Shouta é tão especial quanto ela. O garoto está longe de ter aquela imagem de príncipe encantado que a maioria do shoujos tende a passar com seus protagonistas masculinos. Aliás, ele consegue ser o personagem mais humano que já tive o prazer de conhecer em obras desse gênero. Shouta sente raiva, inveja, ciúmes, e várias outras sensações. Mas tudo que ele faz é para vê Sawako feliz, ou seja, ele pode até fazer coisas egoístas, mas tudo para o bem da nossa protagonista.

 
O primeiro amor também é trabalhado de forma simples e madura no anime. É possível notar o cuidado que o anime tem em trabalhar não só a relação dos dois, mas também a dos personagens secundários, que também possuem tramas interessantes e divertidas. O romance entre os dois protagonistas demora a acontecer, o que pode irritar bastante, mas a cada desejo que temos que algo se concretize, vemos o crescimento individual da protagonista, e notamos que o foco principal do anime não é necessariamente o romance, mas que ele é um anime onde tudo é sobre seus personagens e os sentimentos de cada um deles. Só ficou faltando o beijo, mas como proposta do anime é a simplicidade, a inocência com a qual a relação dos dois foi trabalhada perdoa a ausência dele.

quarta-feira, maio 08, 2013

Crítica: Homem de Ferro 3 3D (2013)

★★★ Nem sempre a qualidade anda de mãos dadas com o dinheiro!

A Marvel tinha um ambicioso sonho de expandir seu universo quadrinístico nos cinemas e assim reunir o maior grupo de super heróis já criado no mundo das histórias em quadrinhos. Um projeto que começou em 2008 com o primeiro filme do Homem de Ferro. Se os dois filmes do Homem de Ferro ajudaram a cimentar o Universo Marvel nos cinemas, a acertada reunião de seus maiores super-heróis acabou solidando a sua hegemonia. Esperava-se que o terceiro filme do egocêntrico Tony Stark honrasse o legado deixado pelos Os Vingadores, mas infelizmente a fase 2 da Marvel nos cinemas não começou com o pé direito.

Desde o ataque dos chitauri a Nova York, Tony Stark (Robert Downey Jr.) vem enfrentando dificuldades para dormir e, quando consegue, tem terríveis pesadelos. Ele teme não conseguir proteger sua namorada Pepper Potts (Gwyneth Paltrow) dos vários inimigos que passou a ter após vestir a armadura do Homem de Ferro. Um deles, o Mandarim (Ben Kingsley), decide atacá-lo com força total, destruindo sua mansão e colocando a vida de Pepper em risco. Para enfrentá-lo Stark precisará ressurgir do fundo do mar, para onde foi levado junto com os destroços da mansão, e superar seu maior medo: o de fracassar. 

Os problemas de Homem de Ferro 3 começaram antes mesmo do filme estrear. A troca de diretores que o filme sofreu indo parar nas mãos de Shane Black, mais conhecido por ter escrito o filme Máquina Mortífera, mudou todo o universo que já tinha sido estabelecido pelos dois longas anteriores, que foram dirigidos por Jon Fraveou, que aqui aparece apenas como produtor do filme. O filme não consegue estabelecer um tom certo entre a comédia e o drama. Toda vez que o roteiro pretende trazer uma seriedade maior em uma cena, infelizmente essa seriedade é ofuscada por mais uma cena de comédia. Entendam, o filme é bom. Possui cenas divertidas, atuações boas e ótimas cenas de ação, mas não é espetacular ou fantástico, e é notavelmente inferior aos anteriores. Como a comédia acabou se tornando o principal foco do filme um dos arcos mais legais do Homem de Ferro nas HQ's, o arco Extremis, se torna pano de fundo, um completo desperdício por parte dos roteiristas.

E por falar em desperdícios, o maior deles foi não usarem corretamente a presença do ótimo Sir Ben Kingsley no filme, assim como a figura do Mandarim, talvez o vilão mais importante do Homem de Ferro nas HQ's. A realidade é que o suposto "terrorista" não existe como vilão, sendo somente uma invenção. Esse artificio já tinha sido usado no Batman de Christopher Nolan duas vezes, e como os filmes da Marvel poucas vezes se deixam levar a sério, em especial esta terceira parte da franquia Homem de Ferro, essa "ideia" acaba causando vergonha alheia ao se tornar uma piada de mau gosto. O verdadeiro vilão do filme é outro cientista, Aldrich Killian, interpretado por Guy Pearce, mas que não chega aos pés do suposto vilão que o filme vendia, desrespeitando a trajetória do Mandarim que é extremamente complexa. A sensação é que fomos enganados pela proposta que fora vendida nos trailers e que foi completamente abandonada, dando lugar a piadas que em alguns momentos se tornam cansativas e sem graça. Kingsley, por outro lado, está fantástico na pele de um ator que interpretava um vilão, o que causa frustração, porque é inevitável se perguntar como seria se o Mandarim realmente tivesse sido trabalhado de forma honesta, como merecia.

Apesar da boa atuação de Robert Downey Jr pela primeira vez a sensação que fica é que tivemos demais do ator nesse filme. Isso não chega a comprometer o filme, como já foi dito antes o ator está ótimo no papel, como sempre, mas parece que o roteiro abusa demais desse recurso, esquecendo-se de desenvolver e aprofundar o roteiro. E mais uma vez retornamos ao principal problema do filme: o excessivo uso da comédia. Ainda que os trailers tenham sugerido que este seria um longa mais sombrio, e ainda que introduza, mesmo que por alto, um tema sério que é o receio norte-americano a ameaças externas, as excessivas investidas no humor nas horas impróprias tornam o filme leve, com algumas boas piadas de Downey Jr, que aqui prova mais uma vez que nasceu para ser o Tony Stark nos cinemas.

Se por um lado tivemos muito Tony Stark no filme, por outro foi muito proveitoso ter mais Pepper Potts. Se Tony Stark amadureceu em partes foi graças a Potts de Gwyneth Paltrow. Os dois atores possuem uma química que flui de maneira natural, e finalmente a atriz tem uma participação mais efetiva no filme. Participando das cenas de ação, com direito a usar a armadura Mark 42 do herói, uma alusão a armadura Resgate.

Homem de Ferro 3 é um filme bom, com boas atuações, cenas de ação caprichadas e claro, Robert Downey Jr. rouba o filme para ele, com tiradas fantásticas, mas ao mesmo tempo é uma decepção. Se você não acompanha o herói nos quadrinhos e não consumiu o material promocional que a Warner divulgou nos últimos meses, provavelmente irá se divertir e gostar da obra. Mas, infelizmente o filme não só desrespeita os longas anteriores, como também Os Vingadores, que acabou sendo um presente para os fãs dos quadrinhos. Uma pena que fase 2 da Marvel tenha tido um início fraco, agora é esperar que Thor 2 e Capitão América – O Soldado do Inverno possam ter melhor sorte em seus filme solos.

quinta-feira, abril 25, 2013

Hannibal - Primeiras Impressões


2013 está mesmo se tornando o ano dos seriais killers na televisão. Tivemos a estreia do ótimo Bates Motel, que foca na adolescência de Norman Bates, imortalizado no filme Psicose; a estreia da série do Kevin Bacon, The Following, que acabou se tornando uma obra medíocre e Ripper Street, produção britânica sobre Jack, o Estripador, assassino que aterrorizou Londres em 1888. E finalmente Hannibal, a aposta do canal americano NBC, que foca no relacionamento entre o investigador Will Graham e o psiquiatra forense dr. Hannibal Lecter.

Dr. Hannibal Lecter nasceu da mente criativa do escritor Thomas Harris, que surgiu pela primeira vez no livro Dragão Vermelho. Já no cinema Lecter apareceu em três adaptações, mas seu verdadeiro êxito mundial veio com O Silêncio dos Inocentes, sucesso de público e crítica, que entregou uma das maiores interpretações da história do cinema, com Sir Anthony Hopkins na pele do psicopata.

Como grande fã de Hopkins e do filme de 1991, confesso que estava muito ansiosa pela série da NBC, ainda mais depois que soube que o ator dinamarquês Mads Mikkelsen interpretaria Hannibal. O foco da série está no relacionamento entre Graham e Lecter, então quem está esperando um grande destaque em Lecter, como acontece em Dexter, acaba frustrado. Afinal, quando acompanhamos uma série sobre seriais killers é inevitável que a audiência queira conhecer o "vilão". Seu dia a dia, suas motivações e seu modus operandi atraem a curiosidade do público. Apesar de não ser um grande problema a série querer trabalhar o relacionamento entre os dois personagens principais, ao invés de somente trabalhar Hannibal.

Só que pelo piloto, a intenção da série é de estabelecer Will Graham como o principal protagonista. Os 20 minutos iniciais se concentram na construção de seu personagem, em que ele usa métodos quase psíquicos para traçar os perfis dos seriais killers. Mas, sendo sincera acho muito clichê que um determinado personagem na polícia seja um gênio porque consegue pensar que nem o psicopata. Sem falar na bagunça com que isso acontece.

Contudo, a série não parece ser uma série de ação. O que já é um ponto positivo. Lembra muito produções europeias, que tem como foco trabalhar o roteiro e as atuações, e não apenas encher o público com cenas apelativas de violência. Até agora, nenhum dos personagens consegue criar uma relação afetiva com o público, por mais que Mikkelsen consiga fazer um Hannibal bem carismático.

A estética visual feita por Bryan Fuller é muito bem feita. Quem já assistiu a série Pushing Daisies, sua obra mais conhecida, sabe que ele adora usar alterações de cores para explicar situações, personalidades e características de seus personagens. Em Hannibal ele faz isso com Graham, quando o investigador está em seus momentos lúcidos ou quando está perturbado.

Realmente é a vez dos psicopatas na televisão. Enquanto Dexter se encaminha para sua última temporada, as séries sobre Norman Bates e Hannibal Lecter começam a trilhar a passos largos e satisfatórios para se tornarem as principais referencias desse gênero que finalmente passou a ter vez na televisão.

quinta-feira, abril 11, 2013

Of Monsters and Men no Playlist

“Eu acho que a chuva é mais legal do que o sol, certo?” - Nanna


No feriado da Páscoa, mais precisamente na Sexta, 29, aconteceu na cidade paulista o Lollapalooza, um dos maiores festivais de música do mundo. Diferente do Rock in Rio, o festival costuma trazer bandas "pouco" conhecidas do público geral, tornando-o uma fonte rica para aumentar a playlist do seu iPod.

Das várias bandas que marcaram presença nos principais palcos da capital paulistana, como a popular The Killers, Pearl Jam e a volta do Franz Ferdinand, uma em especial chamou a minha atenção, a banda islandesa Of Monsters and Men. Podendo ser considerada a mais "desconhecida" das atrações convidadas para se apresentar no festival, mesmo com os refrãos entoados em uníssono pelo grande público, esse sexteto islandês que abriu o Lollapalooza no palco Butantã foi justamente a que mais surpreendeu.

Considerada pela edição americana da revista Rolling Stone como o "novo Arcade Fire", e com um som que lembra bastante a já popular banda inglesa Mumford and Sons, a banda "nórdica", liderada pela simpática e mega fofa Nanna Bryndís possui no repertório do seu primeiro disco, My Head is an Animal (2012), músicas com um som folk rock com fortes influências do indie rock.

Ainda que possuam um som "genérico" que lembram muitas bandas com o mesmo gênero musical, afinal a influência externa é sempre inevitável, a banda se esforça para mostrar seu próprio som e conquista com as músicas recheadas de refrãos simples e melodias doces. Se é um novo Arcade Fire, acho difícil, mas que a música indie folk acalorada do Of Monsters and Men é muito difícil de não curtir, não restam dúvidas. Infelizmente, o único problema da banda é possuir apenas um CD. Recomendação Máxima!

Confiram Little Talks, sua música mais conhecida, no Lollapalooza 2013!

sábado, abril 06, 2013

In The Flesh – Vale Cada Minuto!

Quando a BBC 3 anunciou uma nova série sobre zumbis situada no futuro, que acompanhava a vida dos sobreviventes que enfrentaram uma espécie de holocausto em uma pequena cidade, confesso que fiquei bastante animada. Ao mesmo tempo em que a premissa soava absurda, acabava se tornando tão interessante quanto, afinal esta seria a primeira vez que uma série/filme com a temática apocalipse zumbi seria focada nos próprios zumbis, ou segundo a série, conhecidos como vítimas do PDS (Partially Deceased Syndrome – Síndrome de Falecimento Parcial), ao invés do grupo dos humanos que tentam sobrevevier aos famosos mortos vivos.

A série é situada no futuro, acompanhando a vida de sobreviventes que enfrentaram uma espécie de holocausto zumbi. Estes foram eliminados ou capturados pela Força Voluntária Humana e agora recebem tratamento médico para que possam ser reintegrados à sociedade, utilizando medicamentos, lentes de contato, implantes e maquiagem corretiva. Assim, eles passam a ser chamados de vítimas do PDS (Partially Deceased Syndrome – Síndrome de Falecimento Parcial).

Sou uma grande fã do gênero apocalipse zumbi desde os filmes de Romero e tinha em The Walking Dead a minha principal fonte de zumbis diária. Infelizmente, a série do canal AMC continua com episódios cansativos e sem criatividade, "enganando" não só os telespectadores como também os fãs da HQ. Apesar da terceira temporada focar na prisão, a melhor fase da HQ, os roteiristas da série conseguiram criar um dos piores finais de temporada da história das séries. Enquanto The Walking Dead me faz questionar seriamente se eu voltaria para um quarto ano, In the Flesh me faz torcer para que seja confirmada a sua segunda temporada. Superior a série da AMC em praticamente todos os sentidos, a série do canal BCC 3 foi a melhor estreia de 2013.

O roteiro da série é fantástico. Os roteiristas deram uma sensibilidade maravilhosa a série, mas em momento algum eles a deixam menos ousada. A facilidade de passar mensagens e fazer críticas comportamentais e sociais é o maior trunfo desta produção britânica. Particularmente, acredito que filmes e séries sobre apocalipse zumbi são importantes em momentos de grande mudança social, usando assim os zumbis como metáfora para essas mudanças. Em um momento em que uma minoria luta cada vez mais para ter seus direitos atendidos, a série In The Flesh traz os portadores da Síndrome do Falecimento Parcial como parte de uma minoria, que poderiam ser negros, gays, ou qualquer outro grupo ainda hoje marginalizado por uma parte da sociedade. Como também trazem aqueles mais radicais e intolerantes que não aceitam a reintegração dos portadores da doença. Uma situação cada vez mais presente na nossa sociedade.
 
Uma das personagens da série diz acertadamente que "o maior medo da humanidade é a morte, quando o que deve ser temido é a vida". Notamos isso no melhor amigo do protagonista, Rick, que sempre obedeceu a seu pai, o personagem mais preconceituoso da série, em todos os sentidos. A morte em vida nunca foi tão representada em uma série, assim como todo o cuidado dela em trabalhar a relação familiar e a aceitação de cada individuo do vilarejo. O roteiro consegue apresentar uma qualidade tão invejável, que a humanização, a empatia e a identificação que sentimos com cada um dos seus personagens, principalmente com o protagonista (duplamente marginalizado), simplesmente ocorrem naturalmente. Felizmente não é só o roteiro da série é que soberbo, a série é fantástica tanto na qualidade da atuação do seu elenco quanto em toda a sua ambientação, em especial a fotografia cinzenta trazendo assim um clima melancólico a série.
 
In The Flesh é uma série extremamente sensível, que trabalha de forma humana e inteligente temas como preconceito, comportamento social, a aceitação por partes de terceiros, e a própria auto aceitação, e que com os seus três primeiros episódios conseguem levar o espectador a uma experiência única de momentos de reflexão sobre a vida.