terça-feira, fevereiro 26, 2013

"Argo Fuck Yourself" - Oscar 2013

Aconteceu neste domingo, 24 de Fevereiro, a cerimônia de entrega do 85º Academy Awards 2013, conhecida como a maior premiação da indústria cinematográfica. Ainda não foi aquela premiação divertida e memorável como nos tempos em que Billy Crytal era o anfitrião da noite na década de 90, mas ficou marcada pelos razoáveis vencedores, pela presença da primeira dama Michelle Obama, pela derrota de Lincoln (12 indicações) e por ocorrer um empate em uma categoria da premiação, algo raríssimo.

A 85ª edição do Oscar foi bem conduzida pelo comediante/ator/diretor Seth MacFarlane, contratado para levantar (e conseguiu) a audiência da festa. As piadas mais afiadas não foram propriamente ditas pelo jovem comediante (Ted!), apesar de ser o mesmo falando (simplesmente genial). Em momento algum o rapaz poupou nenhum dos indicados da noite, assim como também não poupou os vencedores da edição passada. Mas, infelizmente, não se pode agradar a gregos e troianos, se a noite foi bem conduzida pelo MacFarlane, infelizmente algumas categorias chegaram a "decepcionar".

Os leitores aqui do blog já sabem que de todos os filmes indicados o que menos gosto é Os Miseráveis. Fiquei bastante decepcionada com o filme. Acho o roteiro, direção e as atuações bastante "meia boca", e por mim seria indicado apenas nas categorias técnicas. Mas, como não sou votante da Academia, eis que Anne Hathaway se consagra como a Melhor Atriz Coadjuvante por Fantine, seu papel no musical. De fato, a atuação de Hathaway é a melhor coisa da adaptação musical da obra de Victor Hugo, mas é um Oscar de uma cena só. Para quem não sabe, existem quatro etapas básicas que uma atriz precisa passar para que ela possa ganhar um Oscar: 1- Raspar o cabelo; 2- Apanhar; 3- Emagrecer e 4- Ficar nua. Se seu personagem passar por uma dessas etapas durante o filme, ainda que sua atuação seja mediana, pode ter certeza que o Oscar lhe consagrará. Acho que até tentaram recriar a cena da Fantine novamente no Oscar, quando chamaram o elenco do filme para cantar a música original no palco (pasmem, cantaram melhor lá do que no filme), mas não deu muito certo. Amy Adams estava muito superior por sua atuação em O Mestre (recomendadíssimo), mas este era o ano da Fantine que apenas aparece em 20 minutos de projeção.

Em relação a Melhor Atriz, não considero por completo que a vitória da atriz Jennifer Lawrence, com direito a queda nas escadas (clássico de J-Law, não é?), tenha sido decepcionante, pelo contrário, dentre as indicadas, depois de Emmanuelle Riva, quem realmente merecia a consagração era a Jennifer por seu trabalho em O Lado Bom da Vida. E acreditem este não será o único Oscar da sua carreira. Inclusive, Jennifer já merecia ter ganhado em 2011, por seu trabalho no filme Inverno da Alma. Mas, confesso que queria que a atriz francesa fosse consagrada, sua atuação soberba em Amor merecia ser reconhecida. E cheguei realmente a cogitar a sua vitória. Primeiro pelo fato da atriz ter estado presente na premiação e segundo por ela ter completado 86 anos na mesma noite. Aliás, se o Oscar bem que poderia ter sido audacioso nesta categoria, dividindo o prêmio entre as duas atrizes, algo que ocorre com frequência em festivais de cinema. Mas estou feliz com a consagração da jovem atriz de 22 anos. Jennifer Lawrence (que é = amor) estava ótima como Tiffany, aliás, ela sempre está ótima em qualquer papel que interpreta, seja em filmes independentes ou blockbusters. Uma atriz talentosíssima, que não "papas na língua" e que sabe sorrir e brincar, uma atriz que Hollywood deve agradecer a todos os dias, a quem quer que seja por sua existência na Terra e nesta indústria.

Outro prêmio merecido foi o de Melhor Ator para Daniel Day-Lewis. Sua atuação como o 16º Presidente dos USA é tão magnífica quanto contida, tinha momentos em que pensava estar diante do próprio Lincoln.  Sem dúvida o ator era a Meryl Streep desse ano. Inclusive a própria foi quem entregou o Oscar ao ator, que quase no final de seu discurso de vitória declarou: “Meryl was Steven's first choice for Lincoln, and I'd like to see that version.” Pelo visto, Seth não era o único comediante da noite. Mas peço aos leitores que confiram a atuação de Joaquin Phoenix por O Mestre, que está tão excepcional quanto à de Daniel. Infelizmente, Lincoln levou apenas dois prêmios, o de Melhor Ator e Direção de Arte, se tornando assim o maior derrotado da noite.

A categoria Melhor Ator Coadjuvante foi um mix de surpresa com felicidade. Não estava cogitando a consagração do ator austríaco Christoph Waltz. Apesar dele está excelente em Django Livre, filme mais divertido de Tarantino, não faz nem pouco tempo que o ator ganhou seu primeiro Oscar por Bastardos Inglórios, novamente de Tarantino. Será que sou a única que acha que já faz tempo que Robert DeNiro merece seu terceiro Oscar?! Principalmente se pararmos para pensar que Waltz só acerta a mão na atuação sendo dirigido por Quentin. Apesar dos filmes de Tarantino sempre estarem entre os principais indicados do Oscar, nunca que um filme seu será consagrado pela Academia, contudo isso não significa que Tarantino não mereça o prêmio de Melhor Roteiro Original, apesar de achar o roteiro original de Moonrise Kingdom superior, aliás, mais uma bobagem do Oscar, que só indicaram o filme em uma categoria.

Acredito que a categoria mais imprevisível da noite foi a de Melhor Diretor. Sem a indicação de Ben Affleck, que ganhou todos os prêmios possíveis da Terra pelo seu trabalho de direção no filme Argo, todos os indicados tinham chances de ganharem o prêmio. Muitos apostavam em Spielberg, pelo sua direção contida em Lincoln, mas eu já imaginava que Ang Lee sairia vencedor. Este versátil e carismático contador de histórias entregou com As Aventura de Pi, que arrebatou merecidamente todos os prêmios técnicos, uma junção perfeita de direção, direção de arte, tecnologia e roteiro, que ao sair do cinema fez uma antiga e nova geração de cinéfilos perceber que magia no cinema ainda pode existir, se depender de diretores como ele.

Mas, no final das contas a noite foi de Affleck. De esnobado a grande vencedor. Seu nome pode até ter ficado fora da lista de Melhor Diretor, mas subiu ao palco para receber o premio de Melhor Filme por Argo. Achei que sua ausência na categoria o maior erro da Academia, uma vez que seu trabalho como diretor é notável, ainda mais em um filme como uma temática difícil de ser filmada. Justamente por esta dificuldade em relação à história, que nada mais justo que premiar o filme com o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado.

Amor ganhou Melhor Filme Estrangeiro, Valente foi escolhido o Melhor Longa de Animação, apesar de Frankenweenie de Tim Burton ser superior. Talvez a única surpresa  (dois vencedores em uma categoria!!!) e maior decepção da noite tenha sido o prêmio de Melhor Maquiagem para Os Miseráveis. Por favor, Oscar, com O Hobbit na mesma categoria não tinha musical nenhum que o superasse. 

A 85ª edição da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas foi uma premiação razoável e divertida, que premiou consideravelmente os melhores do ano no cinema. Claro que existem aqueles que irão reclamar dos premiados, desde o de Melhor Filme até o de Melhor Figurino, merecido para o Anna Karenina, mas é como eu disse antes no começo do texto, não se pode agradar a gregos e troianos, talvez a única que consiga isto seja Adele, que esbanjando simpatia abocanhou mais um prêmio para a sua coleção. Bem que ela poderia ser a anfitriã do próximo ano, se não, o criador da sitcom de animação Family Guy é bem vindo a continuar no posto. Até o próximo Oscar…

quinta-feira, fevereiro 21, 2013

Oscar 2013 - Minha Torcida


Todo ano comento com minha irmã e alguns amigos que não irei assistir a premiação da  Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Apesar do Oscar ser considerado o maior premio da indústria do cinema, infelizmente sempre fica aquela pergunta no ar se a premiação realmente reconhece os melhores do ano, ou se ainda continua sendo tão importante para a indústria cinematográfica, na visão dos críticos, é claro. Questões como essas sempre estarão presentes nesta premiação, e por mais que eu tente não dá a devida importância ao Oscar, sempre me vejo assistindo e anotando os indicados, fazendo bolões e me preparando todo o domingo à noite para acompanhar quem serão os grandes vencedores do ano.

De uns tempos para cá, venho fazendo postes sobre essas premiações com as minhas previsões sobre quem se consagrará, mas este ano farei diferente. Assim como a revista Monet, em vez de "tentar" adivinhar quem serão os vencedores colocarei aqui a minha torcida e quem deve ganhar. E ainda estou pensando e me inspirando na ideia da blogueira e amiga Suyene Correia, aproveito e deixo o link do seu blog para vocês conferirem http://bangalocult.blogspot.com.br/, de quem sabe no próximo ano fazer uma Promoção do Oscar, onde colocaria as principais categorias desta grande festa do cinema, e vocês leitores do blog me enviariam por email suas respostas, a fim de que vocês possam arriscar seus palpites e concorrer a um filme em Blu-Ray ou quem sabe dois em DVD's. Ainda estou pensando, não é nada definido.

Confesso que estou muito animada este ano com a premiação. Pela primeira vez em alguns anos está difícil de se prevê quem serão os consagrados na noite de Domingo, 24. A verdade é que este ano tivemos uma ótima safra de filmes. Entre os indicados deste ano notamos que a política americana nunca esteve tão em alta numa cerimônia do Oscar como este ano com Lincoln, Argo e A Hora Mais Escura, junto deles temos os queridinhos do público As Aventuras de Pi, O Lado Bom da Vida e Os Miseráveis, e os mais independentes e considerados cults como Amor, Indomável Sonhadora e Django Livre.

A premiação nunca esteve tão equilibrada e até mesmo quem já ganhou os outros prêmios que antecedem a premiação, podem deixar de serem os favoritos. Quem sabe o Oscar não nos surpreenda este ano, de maneira positiva?! Vou parar com a enrolação e deixar aqui quem tem minha torcida e quem provavelmente deverá receber o "carequinha dourado" este ano. E não se esqueçam, a cerimônia de entrega do Oscar acontece neste Domingo, 24 de Fevereiro, em Los Angeles, com transmissão ao vivo pela TNT. O ator e comediante Seth MacFarlane, diretor de Ted e criador da animação Family Guy, será o anfitrião da premiação.

Legenda: Minha Torcida ★ - Quem deve ganhar ★

Melhor Filme
Indomável Sonhadora
O Lado Bom da Vida
A Hora Mais Escura
Lincoln
Os Miseráveis
As Aventuras de Pi
Amor ★
Django Livre
Argo ★

Diretor
Michael Haneke ("Amor")
★ 
Benh Zeitlin ("Indomável Sonhadora")
Ang Lee ("As Aventuras de Pi")
★ 
Steven Spielberg ("Lincoln") 
David O. Russell ("O Lado Bom da Vida)

Ator
Daniel Day-Lewis ("Lincoln")
★  
Denzel Washington ("Voo")
Hugh Jackman ("Os Miseráveis")
Bradley Cooper ("O Lado Bom da Vida")
Joaquin Phoenix ("O Mestre")
★

Atriz
Naomi Watts ("O Impossível")
Jessica Chastain ("A Hora Mais Escura")
Jennifer Lawrence ("O Lado Bom da Vida")
★
Emmanuelle Riva ("Amor") ★ 
Quvenzhané Wallis ("Indomável Sonhadora")

Ator coadjuvante
Christoph Waltz ("Django livre")
Philip Seymour-Hoffman ("O Mestre")
Robert De Niro ("O Lado Bom da Vida")
★ 
Tommy Lee Jones ("Lincoln") ★
Alan Arkin ("Argo")

Atriz coadjuvante
Sally Field ("Lincoln")
Anne Hathaway ("Os Miseráveis")
★
Jacki Weaver ("O Lado Bom da Vida")
Helen Hunt ("
As Sessões")
Amy Adams ("O Mestre")
★

Filme estrangeiro
"Amor" (Áustria)
★ ★
"No" (Chile)
"War witch" (Canadá)
"A royal affair" (Dinamarca)
"Kon-tiki" (Noruega)
 
Roteiro original
Michael Haneke ("Amor")
Quentin Tarantino ("Django livre")
★
John Gatins ("Voo")
Wes Anderson e Roman Coppola ("Moonrise Kingdom") ★
Mark Boal ("A Hora Mais Escura")

Roteiro adaptado
Chris Terrio ("Argo")
★
Lucy Alibar e Benh Zeitlin ("Indomável Sonhadora")
David Magee ("As Aventuras de Pi")
Tony Kushner ("Lincoln")
★
David O. Russell ("O Lado Bom da Vida")

Animação
"Valente"
★
"Frankenweenie" ★
"ParaNorman"
"Piratas pirados!"
"Detona Ralph" 


Fotografia
"Anna Karenina"
"Django livre"
"As Aventuras de Pi" ★ ★
"Lincoln"
"007 – Operação Skyfall"

segunda-feira, janeiro 28, 2013

Comentando a Festa do SAG Awards 2013

Aconteceu neste domingo, 27, final de noite aqui no Brasil, a cerimônia de entrega do 19º SAG Awards 2013, a festa do sindicato de atores que reconhece o trabalho realizado por eles na TV e no cinema. Ou seja, são os atores votando nos atores. Uma festa mais simples, diga-se de passagem, e mais rápida que as outras premiações. A festa soube escolher bem seus vencedores e acabou homenageando outros, como os atores de 30 Rock e Breaking Bad, ambas as séries estão terminando lá na terra do Tio Sam.

O grande premiado da noite acabou sendo Argo, filme do Ben Affleck. O thriller político que recria a operação da CIA para resgatar seis norte-americanos, refugiados na casa do embaixador canadense em Teerã, faturou a categoria Melhor Elenco e agora o longa é mesmo favorito ao Oscar 2013. O curioso e que Affleck, que dirigiu e atuou no longa, não foi indicado em nenhuma das duas categorias. Principalmente na categoria direção, algo que achei um dos maiores erros da Academia este ano.

Nicole Kidman abriu o evento apresentando a categoria de Melhor Ator Coadjuvante. O prêmio foi para o ausente Tommy Lee Jones por seu papel em Lincoln, algo que achei inesperado, apesar do ator está bem, considero a atuação do Robert DeNiro superior. Como já era esperado, Anne Hathaway ganhou como Melhor Atriz Coadjuvante por Os Miseráveis, em sua 2ª indicação ao SAG. E agora já dado como certo sua vitória no Oscar deste ano.

Robert DeNiro apresentou a categoria de Melhor Atriz, na qual sua colega de elenco, Jennifer Lawrence, foi premiada, aos 22 anos. Esta categoria estava bem disputada entre Lawrence e a Jessica Chastain por A Hora mais Escura. Apesar da atuação da Jessica está bem no filme sobre a caçada a Bin Laden, a atuação da Jennifer é infinitamente superior. Jennifer está ganhando todos os prêmios da temporada e provavelmente poderá levantar a estatueta dourada no dia 24 de Fevereiro. E como previsto, Daniel Day-Lewis foi eleito Melhor Ator por protagonizar Lincoln. Em uma atuação comovente e espetacular.


Na TV tivemos surpresas e homenagens. As homenagens ficaram por conta da vitória da série 30 Rock, que se despede da TV norte-americana nesta quinta, 31, faturando o prêmio nas categorias Melhor Ator em Série Cômica com Alec Baldwin e Melhor Atriz em Série Cômica com Tina Fey. E Breaking Bad que também está se despedindo da telinha norte-americana, levando na categoria Melhor Ator com Bryan Cranston. Claire Danes de Homeland faturou, como já era esperado, o prêmio de Melhor Atriz em Série Dramática. A surpresa da noite ficou por conta do elenco da série britânica, Downton Abbey, ganhando como Melhor Elenco. A série é ótima, mas sua terceira temporada mostrou que aquele "frescor" que a série tinha em sua primeira temporada, infelizmente, está terminando. Já o elenco de Modern Family ganhou Melhor Série Comédia, algo já esperado. Julianne Moore ganhou Melhor Atriz Minissérie ou Telefilme por sua atuação em Game Change e Kevin Costner faturou o prêmio de Melhor Ator em Minissérie ou Telefilme por Hatfields & McCoys.

Uma premiação divertida, simples e rápida, onde os atores souberam premiar, merecidamente, seus colegas de profissão. Estamos nos aproximando cada vez mais da premiação mais importante do cinema, onde conheceremos os melhores do ano. A cerimônia de entrega do Oscar acontece em 24 de Fevereiro, em Los Angeles, e o ator/comediante Seth MacFarlane, diretor de Ted e criador da animação Family Guy, será o anfitrião da premiação.

segunda-feira, janeiro 21, 2013

Crítica: O Lado Bom da Vida (2013)

★★★★ Pequena Miss Sunshine de 2013, mas que possui sua própria identidade!
 
O gênero comédia dramática não figura entre os favoritos da Academia. Poucos são filmes deste gênero que estiveram disputando as principais categorias do Oscar, assim como são poucos que caem nas graças do público americano. O novo filme do diretor David O. Russell (O Vencedor), é um desses poucos filmes que além de possuir um elenco talentoso, possui um diferencial inigualável, figurando como um dos melhores do ano.

Pat Solitano Jr. (Bradley Cooper) perdeu absolutamente tudo na vida: sua casa, o emprego e a esposa. Deprimido, ele vai parar em um sanatório, onde fica internado por oito meses. Ao sair, Pat passa a morar com os pais e está decidido a reconstruir sua vida, o que inclui retomar o casamento, passando por cima de todos os problemas que teve. Entretanto, seu novo plano muda por completo quando ele conhece Tiffany (Jennifer Lawrence), uma garota misteriosa que também tem seus problemas. É ela quem consegue fazer com que Pat mais uma vez se reconecte com a vida. 

Baseado na obra de Matthew Quick, e com roteiro assinado por David O. Russell que também o dirige, em O Lado Bom da Vida, o público será levado a sucessão de diálogos rápidos, que refletem a toda "problemática" que gira em torno dos dois personagens principais, Pat e Tiffany, e as suas personalidades. O diferencial do filme é justamente tratar de temas sérios de uma forma bastante divertida, sem nada exagerado. O filme é divertido quando precisa que ser e dramático quando necessário tudo em tons moderados. Outro ponto inteligente do filme é o espaço que O. Russell permite dá a seus atores. Como os diálogos são extremamente rápidos, que exige uma atenção redobrada para captar tudo que é dito pelos personagens, o diretor consegue fazer com que o trabalho dos atores saia de forma muito neutra. Um exemplo disso é a cena da aposta, em que o quarteto divide o quadro, falando todos ao mesmo tempo. Outro que ponto que chama atenção é a são as cenas com câmera na mão, quando Jennifer e Cooper estão correndo, sem serem tremidas demais, ou em planos estáticos e abertos nos inserindo no universo de seus personagens cativantes como observadores.

Acredito que a maior surpresa do filme é a ótima atuação, do até então galã, Bradley Cooper. O ator está afiadíssimo. Todas as cenas em que Pat perde o controle, onde tem um acesso de fúria, onde arremessa o livro Adeus às Armas de Hemingway, pela janela do quarto em plena madrugada, ou em que o ator divide cenas com seus companheiros de cena mais experientes, vemos uma excelente performance de Cooper, que sinceramente, não pensaria que um dia veria. Mas acreditem, ele está convincente e seguro neste papel, que provavelmente é o mais difícil da sua carreira, por enquanto. A química entre Cooper e Lawrence é notável e conseguem fazer o público torcer, fervorosamente, para que esta relação conturbada aconteça.

A grande estrela do filme definitivamente é talentosa Jennifer Lawrence. Não restam dúvidas de que Lawrence caminha a passos largos para tornar-se a melhor atriz de sua geração em Hollywood. Tiffany é tão problemática quanto Pat e por mais que tenham personalidades improváveis, os dois acabam se conectando de algum modo e começam uma amizade meio do avesso. Jennifer brilha completamente no papel da Tiffany. Vide três cenas primorosas e memoráveis dela no filme, no qual ela tem um surto num café local, depois num momento em que ela contracena diretamente numa discussão com Robert De Niro, e finalmente no clímax do filme, que lembra um pouco o clássico independente Pequena Miss Sunshine. É incrível o potencial cênico da atriz de apenas 22 anos, de se admirar realmente.

Fechando o quarteto fantástico que O. Russell reuniu no filme, temos Robert De Niro, que interpreta o pai obsessivo e viciado em apostas do Pat, e a atriz australiana que foi indicada ao Oscar faz dois anos, Jackie Weaver, como sua mãe. De Niro, que há muito não brilhava num filme, faz um trabalho ótimo, assim como a australiana, que surpreendeu a todos com sua atuação em Animal Kingdom. Outro que merece ser mencionado é o Chris Tucker como o amigo psicologicamente instável, mas sempre divertido de Pat. Sempre fugindo da clínica onde está internado e aparecendo nos momentos mais oportunos, rendendo boas risadas.

O Lado Bom da Vida é mais um trabalho louvável do diretor David O. Russell. Em momento algum seu filme se torna mais um clichê do gênero, pelo contrário, O. Russell o revitaliza, ao tornar a sua comédia dramática em algo delicioso e extremamente bem feito, onde a história é toda bem amarrada, prendendo você até o ato final.

sábado, janeiro 19, 2013

Crítica: Les Misérables (2013)

★★★ "I had a dream my life would be so different from this hell I'm living!" - Fantine 

Os Miseráveis, clássico romance de Victor Hugo, já foi adaptado diversas vezes. Só no cinema, contando com este novo filme, já foram três adaptações, sendo esta a primeira versão "cantada" da obra francesa. O diretor Tom Hooper, conhecido pelo Discurso do Rei, se inspirou, literalmente, no musical da Broadway e não na eterna obra-prima de Victor Hugo, e foi justamente esta inspiração que tornou seu filme fraco e cansativo, ficando muito aquém do esperado.

Adaptação de musical da Broadway, que por sua vez foi inspirado em clássica obra do escritor Victor Hugo. Com a França do século XIX como pano de fundo, Os Miseráveis conta uma apaixonante história de sonhos desfeitos, de um amor não correspondido, paixão, sacrifício e redenção, num testemunho intemporal da sobrevivência do espírito humano. Jackman interpreta um ex-prisioneiro, Jean Valjean, perseguido durante décadas pelo cruel polícia Javert, depois de ter quebrado a sua liberdade condicional. Quando Valjean aceita cuidar de Cosette, a filha da operária Fantine, as suas vidas mudam para sempre.

Os trailers eram bonitos e nos deixavam com as expectativas em alta, pois dava a sensação de que iríamos estar perante um espetáculo grandioso. O primeiro choque que sofremos no filme é a direção, que caiu nas mãos de um senhor chamado Tom Hooper, que caiu nas graças de Hollywood depois do mediano O Discurso do Rei. Hooper não tem pompa para fazer um filme como este e isso fica evidente logos nos primeiros minutos do filme. Ele é praticamente uma bagunça. Somos bombardeados de informações cena após cena, que nem da tempo do espectador digerir direito o que está sendo mostrado na tela. Anne Hathaway faz uma transformação de operária para prostituta praticamente de uma cena a outra, o que chega a ser constrangedor. Mas, é justamente da atriz que sai a melhor cena do filme e a melhor atuação, onde sozinha, após a primeira noite de trabalho enquanto prostituta canta uma versão crua e tocante da canção I Dreamed A Dream, tornando a cena deveras íntima e emocional.

O segundo choque são as canção gravadas ao vivo. Em vez de usar a velha tradição de gravar antes o áudio e deixar o ator dublar na hora da filmagem, Hooper decidiu que seria mais "real" se os atores cantassem ao vivo, como se estivessem passando pelo sofrimento do personagem. Teoricamente poderia ter sido uma boa ideia, mas infelizmente quase nenhuma pessoa do elenco tem voz para essa "ideia". Como o filme é literalmente cantado, não existe quase nenhuma conversa, fica difícil ouvir as vozes do elenco, que ficam soterradas por barulhos de armas, pelo coro dos coadjuvantes e outras coisas. A única sequência musical em que esta abordagem ainda funciona é a de Anne Hathaway, uma vez que, como disse antes, ser uma versão crua, íntima e tocante. O ex- Gladiador, Russell Crowe, como Javert, um dos maiores vilões da literatura é sofrível. O ator canta muito baixo e cheio de caras e bocas, e ainda não possui química com Hugh Jackman, que faz o herói Jean Val Jean.

Hugh Jackman é outro que está cantando mal, mas ai tem a desculpa, é que fizeram o ator cantar em um tom diferente, que ele não tem facilidade. Ainda assim, sua atuação não convence por inteiro, e o Globo de Ouro que ganhou não achei merecido, ainda mais depois de vê um atuação ótima do Bradley Cooper (quem mandou ser um galã por tanto tempo, em Cooper?! única explicação de não o terem premiado). Depois de Hathaway, a melhor voz feminina é a da novata Samantha Baks, que faz a  Éponine. Sua versão da música On My Own, é a segunda e última sequência musical que funciona. O resto dos atores nem merecem comentários, porque quase nada fazem de surpreendente para merecerem ser mencionados (Amanda Seyfried, apagadíssima).

O terceiro e último choque é o roteiro. Como o diretor optou por fazer o filme como um musical da Broadway onde tudo é totalmente teatral, quase todos os conflitos levantados não são resolvidos. Muita coisa fica mal desenvolvida, e é frustrante a forma como tantas relevantes problemáticas são levantadas e depois são rapidamente descartadas em detrimento de um romance que nunca é corretamente estabelecido e que nem cria importância no espectador, a não ser que você tenha lido o livro. Carecem aqui explicações, profundidade e desenvolvimento, algo que não é permitido, por causa da opção cansativa de todas as falas serem cantadas.

 
Os Miseráveis de Tom Hooper é fraco. Existem momentos intensos e interessantes, mas nenhum deles com a presença de Anne Hathaway como Fantine, personagem que lhe renderá um Oscar na carreira. Tudo técnico está bem feito e bonito, do figurino até a fotografia, mas infelizmente seu maior atrativo, que seriam as sequências musicais, não são grandiosas e são bastante cansativas. Sendo assim, o musical é a primeira "grande" desilusão de 2013. Não é um desastre por completo, mas ficou muito longe de cumprir com aquilo que prometia.

segunda-feira, janeiro 14, 2013

Comentando a Festa do Globo de Ouro 2013


Quando Tina Fey e Amy Poehler subiram ao palco, na noite do Domingo (13), para apresentar a entrega dos 70º Globo de Ouro, não estava esperando uma premiação tão engraçada, divertida e imprevisível como foram a deste ano. A melhor dupla de comediantes femininas da atualidade apresentaram piadas mais interessantes e engraçadas, do que as velhas e cansativas "destiladas de veneno" do Ricky Gervais. Piadas como "disseram que realmente Kathryn Bigelow deve entender muito de tortura, já que afinal de contas, foi casada por três anos com James Cameron" - sobre o filme A Hora mais Escura, indicada ao prêmio de Melhor Filme em Drama, afinal todos sabem que Cameron é famoso por sua chatice e grosseria, ou "eu nunca vi alguém tão abandonado e sozinho desde que vi você no palco do Oscar com James Franco" - disse Fey para estrela Anne Hathaway, em referência ao papel da estrela em Os Miseráveis.

Mas, as piadas não foram a melhor coisa da festa, que é mais interessante que a do Oscar. O momento da noite, que, pelo menos para mim foi o mais marcante, foi o discurso da ótima Jodie Foster, que recebeu prêmio Cecil B. DeMille, pelo conjunto da obra. A atriz provocou risos (ao dizer não pretendia "sair do armário", ela já fez isso anos atrás) e choro ao falar, se dirigindo a sua mãe doente - "Eu te amo, eu te amo, eu te amo, e espero que, dizendo três vezes, isso vai entrar mágica e perfeitamente na sua alma, encher você de graça e alegria por saber que fez o bem nesta vida. Você é uma grande mãe. Por favor, leve isso você quando estiver finalmente pronta para partir" - deixando o palco sob aplausos, e as câmeras mostravam que parte do público chorava. Um discurso incrível, corajoso e inesquecível.

Saindo um pouco deste discurso inebriante e das ótimas piadas das apresentadoras, vamos falar dos grandes vencedores da noite. A imprensa americana foi mais corajosa do que a Academia (só para variar), e premiou duplamente Ben Affleck com Melhor Diretor e Filme em Drama por Argo. Affleck ficou fora da lista do Oscar de Melhor Diretor, talvez o maior erro da academia deste ano. Argo acabou se tornando um concorrente forte para o Oscar, ainda mais porque ele também ganhou o prêmio da crítica. Ainda na categoria Drama, o prêmio de melhor atriz foi para Jessica Chastain, que despontou para fama ano passado, fazendo diversos filmes em muito pouco tempo. Gosto da atriz, que já foi indicada por Historias Cruzadas. O novo filme da Kathryn Bigelow sobre a caçada a Osama Bin Laden não é melhor que o Guerra ao Terror, e acredito que a atriz estava melhor em Histórias Cruzadas, do que A Hora Mais Escura.  

Ainda comentando os filmes "políticos" da noite, temos Linconl, que mesmo sendo o melhor filme de Spielberg desde A Lista de Schindler, acabou sem levar Melhor Filme em Drama e perdeu em Melhor Diretor. E eu que já dava certo a vitória dele, ainda mais depois que o ex-presidente Clinton ter lhe apoiado. Ao menos, Daniel Day Lewis saiu de lá com o premio nas mãos. Seu trabalho como o 16º Presidente dos USA é tão superior aos demais concorrentes, uma atuação igual ao que Meryl Streep fez em A Dama de Ferro ano passado, que seria um escândalo não premiá-lo.

Os premiados em Drama me agradaram mais do que os de Comédia. Acredito que o mais merecido da noite nesta categoria tenha sido da o da ótima Jennifer Lawrence. Seu trabalho no filme O Lado Bom da Vida é inacreditável. Infelizmente, o filme que é igualmente ótimo abocanhou apenas este prêmio. A imprensa estrangeira elegeu Les Miserables, o musical do ano, como Melhor Filme em Comédia ou Musical, premiando também a Anne Hathaway (dizem que sua performance ao vivo e sofrida arranca lágrimas do público, ou seja, Ossscarrr) e Hugh Jackman.

* Valente ganhou Animação, mas Frankenweenie é bem mais superior em um ano sem muitas surpresas na categoria; Amor como Melhor Filme Estrangeiro merecidamente; Aventuras de Pi a melhor trilha musical, e premiaram novamente Christoph Waltz por Django. O ator quando dirigido por Tarantino é ótimo, contudo com outros diretores...

Na categoria TV, acredito que a imprensa estrangeira acertou em cheio nos premiados. Girls que é a série do momento levou melhor comédia e atriz com Lena Dunham. Lena atua, roteiriza e dirigi a série, que é um Sex and The City melhor e mais realista. Outra série do momento que também foi premiada foi Homeland. Ganhou melhor série em Drama e atriz e ator com Claire Danes e Damian Lewis. Teve ainda a genial Maggie Smith premiada pela série britânica Downtown Abbey, que está perdendo o que tinha de melhor, infelizmente; a ótima e sempre esquecida Juliane Moore por Game Change, onde ela interpreta a Sarah Palin.

Enfim, a imprensa estrangeira não fez feio, e apresentou uma festa engraçada, premiando quem realmente merecia ser premiado. E graças ao Globo de Ouro a corrida do Oscar não ficou nada muito óbvio, ao contrário, embolou o meio do campo. Poder ser que vença Argo ou Lincoln, ou até mesmo o ótimo Indomável Sonhadora, ou quem sabe sejam mais ousados e premiem o ótimo Amor, o que tornar a premiação mais interessante. E não é isso que os cinéfilos esperam destes prêmios?! Não se esqueçam do SAG Awards, 27 de Janeiro, às 23h, na TNT. 

quarta-feira, dezembro 26, 2012

Crítica: As Aventuras de Pi (2012)

★★★★ Sabem quando dizem que é no cinema que acontece a magia?!

Ang Lee é um diretor que possui em sua vasta filmografia uma quantidade enorme de excelentes obras cinematográficas, que passam desde a adaptação do livro de Jane Austen, Razão e Sensibilidade, até o maravilhoso O Tigre e o Dragão. Curiosamente, este versátil contador de histórias, que estava em busca de um blockbuster na sua carreira, acabou adaptando para o cinema o péssimo Hulk, associando seu nome a um dos piores filmes com super - heróis, e talvez um dos piores da história do cinema. Se a intenção de Lee com As Aventuras de Pi ainda era adicionar em sua carreira um blockbuster, isso eu não sei, mas o diretor entrega ao público uma junção perfeita de direção, direção de arte, tecnologia e roteiro, que ao sair do cinema faz você percebe que magia no cinema ainda pode existir, se depender de diretores como Ang Lee.

Pi Patel (Suraj Sharma) é filho do dono de um zoológico localizado em Pondicherry, na Índia. Após anos cuidando do negócio, a família decide vender o empreendimento devido à retirada do incentivo dado pela prefeitura local. A ideia é se mudar para o Canadá, onde poderiam vender os animais para reiniciar a vida. Entretanto, o cargueiro onde todos viajam acaba naufragando devido a uma terrível tempestade. Pi consegue sobreviver em um bote salva-vidas, mas precisa dividir o pouco espaço disponível com uma zebra, um orangotango, uma hiena e um tigre de bengala chamado Richard Parker. 

O filme é baseado no livro A Vida de Pi, de Yann Martel, que era até então considerado "infilmável", uma vez que contar uma história onde um jovem divide um bote com um tigre ao longo de boa parte da narrativa seria um desafio até mesmo para as atuais tecnologias. A solução encontrada pelo diretor foi criar um tigre totalmente computadorizado, mas ainda assim seria uma opção que também exigiria um grande apuro nos efeitos especiais, de forma que o tigre digital, ou qualquer um dos animais, seja a zebra ou o orangotango, ou até mesmos os animais marinhos que também acompanham o jovem Pi no segundo ato do filme, em momento algum aparentasse serem falsos. Este é um dos méritos técnicos do longa-metragem, que não só conseguiu criar um credível mundo, onde um simples olhar de um tigre conseguiu causar medo, mas como também impressiona nas belíssimas paisagens que compõem o filme a partir do naufrágio, em sua maioria criada através de computadores. A fotografia é fantástica e rivaliza com A Invenção de Hugo Cabret enquanto o 3D é da mesma qualidade usado por James Cameron em Avatar.

Contudo, definir que As Aventuras de Pi é apenas um deleite visual seria reduzi-lo bastante. A obra é única, e não conta apenas uma história de sobrevivência de menino e um tigre, mas também busca mostrar o lugar da humanidade em relação a Deus e à natureza, por meio das crenças do jovem rapaz. O forte lado religioso, que é apresentado com as várias religiões que Pi acredita e segue, acaba por ajudar o espectador a aceitar o que está sendo mostrado na tela. A cada momento em que Pi está a deriva no mar, e tem que passar por situações pequenas, como ser obrigado a comer à carne de peixes (o jovem é vegetariano), ou a situações maiores, como as tempestades e a perda de sua família, afetam sua relação com Deus. Cria-se assim um embate entre a razão e a religiosidade, surgindo inúmeras interpretações a depender de qual seja a sua religião ou se não segue nenhuma, fazendo com que cada pessoa tenha uma experiência própria com a obra e formule seu próprio entendimento. Em certo momento, no final da projeção, quando Pi já está adulto, ele conta uma versão mais realista da sua história, e pergunta ao escritor (que também pode ser interpretado como o público que acompanhou com detalhe a história que foi contada) em qual delas ele acredita, na mais fantasiosa ou na realista, e ao escutar a reposta do mesmo, Pi já adulto responde que acontece o mesmo com Deus, terminando o filme com um desfecho brilhante que deixa o espectador atônito.

O filme não possui nenhum rosto conhecido, algo que segundo Lee daria mais impacto a obra. Achei a decisão do diretor brilhante, porque a história em si é o grande atrativo do filme, e isso não aconteceria se atores conhecidos pelo grande público estivessem associados ao filme. Então foi escolhido o jovem Suraj Sharma para dá vida a Pi. O jovem ator interpreta o protagonista de forma sensível e surpreendentemente segura a narrativa principal do filme praticamente sozinho, sabendo interpretar todos os estágios em que seu personagem vai se encontrar no decorrer do filme. A obra também conta com a presença do experiente ator Irrfan Khan, que dá vida ao protagonista já adulto, entregando um dos momentos mais emocionantes do filme, capaz de nos levar a lágrimas facilmente. Ainda nos deparamos com um Gerard Depardieu mais velho, que faz uma pequena participação no filme, dando vida a um cozinheiro desagradável.

Infelizmente a obra peca nas várias explicações que procura dá para algumas situações, usando o Pi já adulto para explicá-las, fazendo com que essas pausas em alguns momentos sejam desnecessárias. O fato do filme somente engrenar depois de meia hora de projeção, quando chega enfim o naufrágio, também prejudica a obra de Lee. Fica um pouco confuso entender do que realmente a obra se trata, tornando-a desaconselhada para as crianças menores, uma vez que os fortes questionamentos e ao segundo ato do filme possa tornar a obra cansativa e confusa.

As Aventuras de Pi é um quase um obra prima. Se o diretor não tivesse optado por explicar tudo, ao invés de simplesmente deixar no ar, poderíamos ter assistido ao melhor filme de 2012. Mas, depois de quase três horas absorvendo o que de mais lindo o cinema pode nos entregar, e fazendo o público ao sair do cinema refletir sobre toda a jornada de Pi, essas meras explicações acabam se tornando quase que irrelevante. E graças a diretores como Ang Lee, sabe aquela coisinha chamada magia, pois é ela ainda pode existir.