terça-feira, janeiro 18, 2011

Crítica do Filme 'Um Lugar Qualquer'

Sofia Coppola carrega um sobrenome de bastante peso na indústria cinematográfica. Dona de filmes discretos como 'Encontros e Desencontros' e visualmente belos como 'Maria Antonieta', Um Lugar Qualquer carrega um pouco dos dois, mas ele comprova, de vez, uma delicada Sofia.

Johnny Marco (Stephen Dorff) é um bem sucedido ator de Hollywood que não possui uma reputação das melhores. Hospedado no lendário hotel Chateau Marmont para recuperar-se de um acidente no set de filmagens, ele passa os dias em festas com strippers ou dirigindo sua Ferrari por puro prazer. Porém, o ator tem sua rotina subitamente alterada pela presença de Cleo (Elle Fanning), sua filha de 11 anos, que passa a visitá-lo com certa frequencia. Embora a princípio seja incapaz de dar à menina a atenção que precisa, a progressiva aproximação leva Johnny a reavaliar sua vida.

Sofia sabe ser bastante delicada quando quer. Tratou a relação entre pai e filha de uma forma sutil e bastante discreta. Uma diretora que gosta de ter hotéis sempre em seus filmes como uma espécie de transitoriedade na vida do personagem. Johnny Marco é um personagem bem entediante. Sua vida é tediosa, exceto pela sua filha Cleo. Stephen Dorff passa exatamente a ideia do personagem. Elle Fanning (uma adorável atriz) não precisa mostrar seu potencial no filme, até mesmo porque não se exige isso dela, mas atual de modo bastante convincente.


Sofia aproveitou, na minha visão, muito a sincronia entre o pai e filha. Donos de cenas memoráveis que vai desde eles brincando de videogame, até eles protagonizando uma cena delicadíssima no fundo de uma  piscina, deixando-os realistas aos olhos do expectador. O entrosamento dos dois atores ajudou muito. Contudo, Sofia teve a chance de criar um belíssimo filme, se tivesse terminado com os dois sentados à beira da piscina (foto ao lado). No entanto ela opta por terminar o filme como um filme, em vez de terminá-lo do jeito que começou, real. Um Lugar Qualquer vale apena ser visto, mas sobre um olhar diferente.

domingo, janeiro 02, 2011

Crítica do Filme 'Ponyo: Uma amizade que veio do mar'

Hayao Miyazaki é um gênio da animação. Sem utilizar os novos recursos tecnológicos em seus filmes, ele nos presenteia com belas histórias e belos cenários. Diante de grandes filmes como 'A viagem de Chihiro' e 'Meu Vizinho Totoro', elogiados pela crítica, Ponyo é o filme mais fofo deste grande criador.

Sosuke (Hiroki Doi) é um garoto de cinco anos que mora em um penhasco, com vista para o Mar Interior. Um dia, ao brincar na praia, encontra Ponyo (Yuria Nara), uma peixinho dourado cuja cabeça está presa em um pote de geleia. Ele salva a peixinho e a coloca em um balde verde. Trata-se de amor à primeira vista, já que Sosuke promete que irá cuidar dela. Só que Fujimoto (Jôji Tokoro), que um dia foi humano e hoje é feiticeiro no fundo do mar, exige que Ponyo retorne às profundezas do oceano. Para ficar ao lado de Sosuke, Ponyo toma a decisão de tornar-se humana.

O amor entre as duas crianças, resultou em filme que possui um alto grau de fofura e inocência. Observar o amadurecimento e cuidado que as duas crianças sentem uma pela outra, soa sem malícia e emociona a qualquer um que assistir ao filme. Os belos cenários da animação são maravilhosos. Desenhados a mão pelo próprio Miyazaki, o expectador acompanha com os olhos grudados na tela cada detalhe e cor que ele nos presenteia.

'Ponyo: Uma amizade que veio do mar' é mais um filme de Miyazaki que obrigatoriamente deve ser visto. Dono de uma fofura e inocência inegável, belas imagens feitas à mão, Ponyo nos leva, mais uma vez, ao espetacular mundo do gênio Hayao Miyazaki.

sexta-feira, dezembro 31, 2010

Os 10 Piores Filmes de 2010

10º 'Um Olhar do Paraíso'
O filme de Peter Jacskon, marca pontos por ter um belo visual e por ter Stanley Tucci e Saoirse Ronan (foto) no elenco. Sem se aprofundar literalmente na história do livro, o filme tropeça com a direção e roteiro escorregadio. Uma pena.

9º 'Príncipe da Pérsia'
Apesar de ser grande fã do ator Jake Gyllenhaal, confesso que esperava mais da adaptação da franquia de games 'Príncipe da Pérsia'.  O filme é divertido e nada mais. Se fosse outro diretor o filme poderia ter sido o 'próximo' Piratas do Caribe, mas diferente deste, Príncipe da Pérsia não chega a possuir muito carisma.

8º 'Percy Jackson: O Ladrão de Raios'
Tá certo que são raros os livros adaptados para o cinema que são (quase) fieis, mas Percy Jackson é uma das piores adaptações que já assisti. Quem leu o livro sabe que o filme não é nem 1/3 fiel ao livro. Com uma história fraca, elenco fraquíssimo e direção péssima, Percy Jackson não valeu a entrada do cinema, e também não vale um valor de locação.

'O Último Mestre de Ar'
M. Night Shyamalan é um diretor bastante irregular. Ficou famoso com 'O Sexto Sentido', contudo a maior parte dos seus filmes chega a desejar. Com 'O Último Mestre do Ar', adaptação do desenho de sucesso do canal Nickelodeon 'Avatar', tentou emplacar 'sua' própria saga nos cinemas, só que o filme é extremamente chato, com um péssimo elenco e completamente diferente do desenho.

6º 'A Saga Crepúsculo: Eclipse'
Sou suspeita para falar sobre a saga 'Crepúsculo'. Não sou fã da história, dos atores e nem do que a escritora fez com a mitologia do vampirismo. Surgiram boatos de que este seria um filme que agradaria até a faixa etária não alvo, com cenas de ação bem feitas e que David Slade poderia dá um novo rumo a saga, contudo a única coisa que Slade conseguiu foi um filme chato que a história não parecia sair do lugar. Pior filme da saga!

5º 'A Última Música'

Nicholas Sparks sabe ser bem criativo com suas histórias dramáticas, porém esta foi a menos cativante. Talvez o motivo para ser tão cansativo seja justamente pelo erro de darem o papel da protagonista para a jovem Miley Cyrus (foto), que tenta sem sucesso se desvincular dos laços criados com a Disney. A jovem não é a única irregular, seu par romântico, Liam Hemsworth (foto) chega a ser menos expressivo que ela. Se fossem outros atores e um roteiro melhor, o filme poderia ser menos chato.

4º'Diário de um Banana'
Os livros, que lembram HQ's, são bastante divertidos e engraçados, contudo o filme tem um roteiro leve e atuações bastantes irregulares. O elenco destaca também uma coadjuvante de luxo, a jovem atriz-sensação Chloe Moretz (a Hit Girl de 'Kick-Ass', foto) que com seu talento deixa o filme agradável, mas só quando aparece em cena, fora isto, o filme não possui nenhum carisma que têm o livro.
3º 'Tekken'
Está no terceiro lugar porque não chega a ter um roteiro (algo que não se pode faltar em um filme), porém as lutas aparentam ser bastante reais e, apesar de ser um filme que chega aqui somente em DVD, consegue garantir a diversão.

2º 'Caçador de Recompensas'
Era para ser uma comédia romântica, mas o filme acabou se tornando sem comédia e sem romance. Gerard Butler e Jennifer Aniston não possuíam nenhuma química em cena, sendo este o pior filme Miss Friends.

1º 'Idas e Vindas do Amor'
Garry Marshall tentou reunir grandes talentos do cinema e astros teens para chamar o público. O resultado foi um tiro no próprio pé do diretor e o pior é que já estão fazendo outro sobre réveillon com a mesma fórmula.

terça-feira, dezembro 21, 2010

Primeiro (grande) Trailer do Filme 'Hanna'

A Focus finalmente liberou o primeiro trailer do novo filme de Joe Wright (Desejo e Reparação) que repete parceria com Saoirse Ronan, neste thriller onde Ronan interpreta Hanna, uma menina de 14 anos do Leste Europeu que foi criada por seu pai (Eric Bana) para ser uma máquina mortífera. Ela então desenvolve uma ligação com uma família francesa, faz amizade com a filha deles e passa pelas crises da adolescência. No entanto, quando é trazida de volta ao mundo de seu pai e descobre que foi treinada para matar em um acampamento da CIA, ela precisará lutar para conquistar uma vida de liberdade. Gostei bastante do visual do filme, gostei também da trilha sonora pela dupla Chemical Brothers e Saoirse como Hanna foi um excelente escolha. Sei que sou suspeita para falar, pois sou fã da dupla Wright/Ronan e grande fã da Cate Blanchett, mas não sei se Eric Bana foi o melhor ator para o papel, ele ainda não me convence como um ator versátil, mas ele pode surpreender. As filmagens aconteceram na Alemanha, Finlândia e no Marrocos. A estréia acontece em 8 de Abril de 2011 nos USA. No Brasil, em 13 de maio.

Trailer

sábado, novembro 20, 2010

Crítica do Filme 'Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 1'

O menino que sobreviveu, cresceu. As perda e os perigos que rondaram a vida de Harry no decorrer dos seis filmes, também ficaram maiores. Neste penúltimo filme da saga mais lucrativa da história do cinema, Harry precisa ser mais do que um simples bruxo talentoso.

Harry Potter finalmente enfrenta Voldemort e conta com a ajuda dos inseparáveis companheiros, Hermione e Ron, para encontrar os Horcruxes, que representam o segredo da mortalidade e destruição de Voldemort. A missão obriga o trio a se afastar dos estudos em Hogwarts, a esta altura dominada, assim como o Ministério da Magia, por Voldemort e os Comensais da Morte.

Logo no começo já podemos perceber que aquela frase apresentada no quarto filme da saga, 'Tempos Difíceis estão por vir Harry', deixa de ser apenas uma frase para se tornar realidade. Voldemort se infiltrou no Ministério da Magia e não só os aliados/amigos de Harry como os trouxas também estão em perigo. Para ajudar Harry, Hermione (uma trouxa) resolve apagar todas as memórias de seus pais, fazendo-os esquecer dela. Apesar de Harry não ter crescido com o amor de seus pais, ele foi cercado por vários outros tipos de amor. A maior prova de amizade (na minha opinião) que vemos durante o filme é mais dolorosa. O que deixa mais claro de como as perdas ficaram maiores. Não só Hermione, mas Rony também deixa sua família para ajudar seu melhor amigo. Fico feliz em dizer que assim como os personagens cresceram e amadureceram, os atores também. Daniel Radcliffe têm aqui a atuação mais satisfatória de toda a saga. Rupert Grint finalmente consegue deixar de ser o amigo 'bobão' e dono das cenas engraçadas do filme e ganhou um tom mais sombrio e maduro. No entanto o filme é praticamente da Emma Watson. Nos momentos sombrios e poucos felizes que seguem durante o filme, Emma é a que mais surpreende. Helena Bonham Carter faz mais uma vez um excelente trabalho como Bellatrix Lestrange, no entanto ao dividir cena com a Watson, ela é superada pela jovem atriz. Ralph Fiennes como Voldemort consegue mais uma excelente atuação.

O diretor David Yates fez um trabalho fantástico. Quando pegou a direção do quinto filme ,'Ordem da Fênix', e continuou no sexto, eu me perguntava o que ele estava fazendo no cargo de diretor. Ambos foram os piores da saga. Fracos em adaptação e fraquíssimos em atuação. Apesar disso ele conseguiu ficar para dirigir os dois últimos filmes, algo que me deixou apavorada (como fã e 'crítica'). Contudo ao decidir dividir o livro em dois filmes, ele marcou alguns pontos, afinal quase duas horas e meia de projeção só para metade do livro, era praticamente como afirmar que este seria o mais fiel da saga. O filme também é excelente em questões dramáticas. Sendo a Part 1 com algumas, mas excelentes cenas de ação, praticamente o filme todo é dramático. Yates evoluiu muito como diretor da saga e, criou o filme para os fãs e críticos apreciarem.

Alguns desfechos vão se desvendar na Part 2. Talvez o ponto 'negativo' do filme, para quem não leu o livro, seja as questões que ainda não foram totalmente resolvidas e explicadas. Para estes restam esperar 15 Julho de 2011 para descobrir, enquanto para os outros, apreciem o melhor filme e o final épico do bruxinho que sobreviveu.

Trailer:

domingo, novembro 14, 2010

Crítica do Filme 'Ponte para Terabítia'

A vida nem sempre é fácil, até mesmo para uma criança. Ás vezes só precisamos de um lugar para se esconder da realidade que enfrentamos em nossas casas ou nas escolas, ou então de uma pessoa que possa mudar nossas vidas de várias formas. Em 'Ponte para Terabítia' somos transportados para uma história real, com toques mágicos.

Baseado no livro homônimo de Katherine Paterson, Jess Aarons (Josh Hutcherson) sente-se um estranho na escola e até mesmo em sua família. Durante todo o verão ele treinou para ser o garoto mais rápido da escola, mas seus planos são ameaçados por Leslie Burke (AnnaSophia Robb), que vence uma corrida que deveria ser apenas para garotos. Logo Jess e Leslie tornam-se grandes amigos e, juntos, criam o reino secreto de Terabítia, um lugar mágico onde apenas é possível chegar se pendurando em uma velha corda, que fica sobre um riacho perto de suas casas. Lá eles lutam contra Dark Master (Matt Gibbons) e suas criaturas, além de conspirar contra as brincadeiras de mau gosto que são feitas na escola.

O filme é maravilhoso e delicioso de se assistir. É interessante ressaltar o quanto a imaginação é importante no filme, afinal se não fosse por ela o filme seria um drama pesado de assistir. A solidão que Jess passa tanto em casa quanto no colégio é um retrato que muitos jovens passam e, nem todos tem uma 'Leslie' para tirá-los desta situação. No filme a solução disto não depende só dela, mas também da imaginação que ela possui exercitada de um hábito de leitura adquirido de seus pais (escritores no filme). É quase impossível não se emocionar com a amizade de Jess e Leslie. O excelente Josh Hutcherson e a talentosa AnnaSophia Robb possuem uma inegável química em cena. Conseguem juntos dá vida há uma amizade que nem de longe parece ser artificial graças a excelente atuação dos dois atores. A atuação de Josh é mais exigida no longa. Há algumas cenas dramáticas no filme que são quase excepcionais. Infelizmente no filme AnnaSophia não pode dar muito se si, já que não requer que ela atue de maneira extraordinária, no entanto, ela o faz assim mesmo. Carismática e talentosa, Anna faz algo que poucas atrizes (inclusive as veteranas) conseguem fazer, que é com que o expectador se sinta ligado e deseje ter uma amiga como Leslie. E por último, mas não menos importante, temos a pequena Bailee, que faz a irmã mais jovem de Jess, que é de um carisma excepcional apesar da pouca idade já demonstra um grande talento.

'Ponte para Terabítia' não é nem de longe um filme de fantasia, não se enganem pelo fato de ser dos mesmos criadores das 'Crônicas de Nárnia'. Ele é um drama maravilhoso e comovente, que nos faz refletir sobre a vida e o que é importante nela. O filme é uma ótima surpresa.

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sexta-feira, novembro 12, 2010

Crítica do Filme 'Minhas Mães e Meu Pai' (The Kids Are All Right)

Relacionamentos familiares são bastante complicados. No cinema temos um histórico de mães e pais negligentes, cruéis, amáveis e os que arriscam sua vida para proteger sua prole. Em 'Minhas Mães e Meu Pai' fica olhar feminino e maduro sobre uma família moderna.

Os irmãos adolescentes Joni (Mia Wasikowska 'Alice' de Tim Burton e filha de Nic ) e Laser (Josh Hutcherson e filho de Jules ), filhos de um casal de lésbicas Nic e Jules (Moore e Bening), foram concebidos por inseminação artificial através de um doador anônimo. Quando Joni completa 18 anos, sem o conhecimento das "mães", vai atrás do direito de descobrir quem é seu pai biológico. É assim que Paul (Ruffalo), dono de um restaurante em Los Angeles, começa a se inserir na família.

O filme é bastante divertido. O homossexualismo é abordado de forma bem leve, no entanto não é o assunto principal do filme abrangê-lo, ainda que a diretora traga sua experiência pessoal para a obra. Quero deixar claro mais uma vez que esqueçam o título português do filme. Deveriam ter deixado o título original ou colocar um que chegasse perto do original. Afinal no filme as mães e o pai erraram, mais as criança ainda continuaram muito bem. Julianne Moore faz a feminina Jules. A mãe alegre, amorosa e meio desleixada. Moore é bastante carismática e talentosa e não acho que ela teve dificuldade para interpretar Jules. Annette Bening interpreta magistralmente a masculina Nic. A mãe responsável e rígida. A química entre ambas é clara e até arrisco uma indicação ao Oscar para Annette. Como o 'doador' temos a melhor atuação de Mark Ruffalo. O personagem dono de um restaurante lhe foi perfeito e, sua química com Julianne (com quem já trabalhou) e com Mia Wasikowska é excelente. A personagem da Mia, Joni, é a caricatura perfeita da Nic, no entanto ao contrário da Annette, Mia não é excepcional no filme, continua sendo a mesma 'Alice' adorável. O personagem do Josh, Laser, se parece bastante com a Jules. Josh também não faz milagres, mas consegue passar para o expectador que o seu personagem é inteligente apesar de indeciso. O trunfo principal do filme é quando todos estão juntos, porque passa a ideia real de que são realmente são uma família.

O filme é engraçado, leve e divertido. Não é o melhor filme de 2010 e também não chega a ser o 'novo' 'Pequena Miss Sunshine' como muitos disseram, mas é uma das maiores surpresas deste ano.

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