sábado, abril 28, 2012

Crítica do Filme 'Os Vingadores'

★★★★★ Um presente para os fãs dos quadrinhos! 

Umas das coisas mais interessantes e legais nos quadrinhos são quando as histórias se interligam, como quando ocorreu à criação da Liga da Justiça (DC), em 1960, que trazia a maior parte de seu acervo de super-heróis. Em resposta a DC, a Marvel criou os Vingadores, que reunia os heróis mais populares da Marvel. Fazer essa junção nos quadrinhos é bem fácil, basta apenas ter um bom roteiro, contudo no cinema pode ser complicada essa junção, uma vez que com muitos personagens um pode acabar ficando sem utilidade. Ainda assim a Marvel foi ousada e chamou Joss Whedon, figura muito renomada na TV americana, e entregou a ele a difícil tarefa de dá vida a esses heróis no cinema. Whedon fez seu dever de casa com brilhantismo e entregou para os fãs dos quadrinhos e porque não, para todos os expectadores, um dos melhores filmes de super-heróis da atualidade.

Na trama, quando um inesperado inimigo aparece e ameaça a segurança e a tranqüilidade do mundo, Nick Fury, diretor da agência internacional de pacificação conhecida como SHIELD, se vê em busca de uma equipe capaz de tirar o mundo da iminência de um desastre. Através do planeta, um ousado recrutamento se inicia.

É inevitável dizer aqui que Os Vingadores da Marvel chegou bem perto da qualidade de Batman – O Cavaleiro das Trevas de Nolan. Atuação, roteiro e direção estão impecáveis. A única diferença é que Batman está mais para um filme mais sério e realista, enquanto os Vingadores abusa de tons de comédia e paródias, sendo que ambas são hilárias e funcionam bem. Se foi dito antes que trazer um projeto como Os Vingadores para o cinema pode ser complicado, por causa do excesso de personagens, é ótimo saber que todos funcionam e cumpre bem seu papel no filme. Começando por Samuel L. Jackson, como Nick Fury, diretor da agência internacional de paz conhecido como SHIELD, que serve como ponte de ligação entre os heróis. Jackson continua ótimo como sempre, e é incrível como o ator se parece fisicamente com o personagem do Universo Marvel Millenium.

Dando continuidade ao bom elenco temos Mark Ruffalo, que supera Eric Bana e Edward Norton. Ele é a melhore surpresa do filme. Primeira vez que interpreta Hulk, poderia se sentir desconfortável, mas não, ele consegue uma atuação espetacular, sem falar da criação digital do Hulk, que foi feito com captura de movimentos. Simplesmente lindo. Robert Downey Jr. como sempre brilha. São dele as melhores falas do filme. Terceira vez que o ator encarna o Homem de Ferro que já é de uma naturalidade incrível, parece que o papel foi criado para ser dele. Uma coisa interessante nos heróis da Marvel é que apesar de serem todos muito egocêntricos, acabam funcionam bem. E sempre existe algo parecido entre eles, podendo ser uma mente brilhante como é o caso de Bruce Banner e Tony Stark, ou os valores e morais como o caso de Capitão América e Thor.

Chris Evans aparece mais confortável com seu papel e funciona bem como um 'quase' líder, tentando em alguns momentos acalmar os ânimos, mostrando que o inimigo é outro. Outro que está mais confortável com seu papel é Chris Hemsworth. E é justamente Hemsworth que protagoniza as duas cenas de 'briga' entre os heróis. Sendo que a mais divertida é entre Thor e Hulk. É interessante notar que tanto Capitão quanto Thor possuem valores e morais parecidos, assim como Bruce e Tony compartilham o brilhantismo. O mais legal ainda é que com um soldado "mutante", um semideus, um bilionário egocêntrico e um cientista com problemas de autocontrole, sendo que os atores estão em sua melhor forma, nenhum deles ofusca o outro, dando ainda mais crédito ao trabalho de Joss Whedon.

Então a pergunta que não quer calar é: Se com tantos heróis, qual seria a função do Gavião Arqueiro e da Viúva Negra?! Em primeiro lugar a única Vingadora que aparece logo no início, sendo torturada, é tão forte quanto seus colegas. A Viúva é uma personagem que não está no filme para ser a mocinha que precisa ser salva pelos heróis, ela é tão forte e sabe se virar sozinha quanto eles. São dela também os diálogos mais legais do filme, como uma perfeita espiã. Scarlett Johansson está ótima, fazendo-nos esquecer da aparição da ótima Gwyneth Paltrow. Jeremy Renner possui de certa forma, a menor importância de todos os personagens, mas ainda assim entrega uma boa atuação e boa química com Scarlett, que também funcionou bem com Mark Ruffalo.

Se todos os heróis estão ótimos juntos, o vilão teria que ser tão ótimo e poderoso quanto eles. Loki é aquele vilão que amamos odiar, carismático e louco, é muito mais forte e temido na Terra no que em sua terra natal. Tom Hiddleston está em plena forma, ele já estava espetacular em 'Thor', mas aqui dá um show de atuação, elevando ainda mais a loucura do Deus da Trapaça. Hiddleston é um dos melhores atores ingleses que está em pauta no momento, bem versátil, é um ator que merece atenção, chegando aqui a se igualar com o Coringa de Heath Ledger.

Os Vingadores é tudo aquilo que um fã dos quadrinhos queria no cinema. O bom roteiro, que trabalha individualmente cada herói, e depois trabalhando eles em grupo é excelente, assim como a competência na direção, sem falar dos efeitos especiais de encher os olhos. A Marvel foi ousada e conseguiu o impossível, entregou provavelmente o melhor filme de super-heróis e talvez o melhor filme, até agora, de 2012. E que venha o Batman - O Cavaleiros das Trevas Ressurge!

domingo, abril 22, 2012

Primeiras Impressões: The Legend of Korra

Uma nova Avatar a altura de Aang! 

"Terra, Fogo, Ar e Água. Somente o Avatar pode dominar todos os quatros elementos, e trazer equilíbrio ao mundo." E é assim, com uma nova abertura, que lembra a sua antecessora, que marca um início de um novo ciclo Avatar. Quem acompanhou A Lenda de Aang, sabe o quanto o desenho, com traços que lembram bastante animes, é divertido e interessante. Quando anunciaram um novo desenho com uma "nova" Avatar, fiquei um pouco preocupada deste não ser tão legal quanto o seu antecessor, mas depois de conferir os primeiros capítulos do novo desenho, fico aliviada e me atrevo a dizer que Avatar: A Lenda de Korra é muito mais legal do que A Lenda de Aang em todos os aspectos.

As mudanças de cenário é um dos pontos favoráveis dessa nova aventura, pois se antes Aang precisa trazer equilíbrio ao mundo lutando contra os dobradores de Fogo, a nova Avatar precisa trazer equilíbrio lutando contra outros problemas: em primeiro lugar o Poder, suas consequências, suas implicações e qualquer tentativa de contê-lo; e em segundo lugar a desigualdade social, uma vez que aqueles que não são dobradores se sentem oprimidos pelos dobradores. Um arco que se for bem trabalhado pode render um bom debate, já que fazem parte do nosso atual contexto social.

A narrativa também é rápida e não sei se isso é legal. Não são só os fãs do antigo desenho que irão assistir, essa nova leva de crianças, que não assistiram ao original pode ficar um puco perdida, como ocorreu no filme feito por M. Night Shyamalan, que só quem assistia ao desenho conseguiu acompanhar todo o contexto do filme. Seria bom dá uma trabalhada nisso. A animação está ainda mais bonita, ainda mais se for assistido em HD. E o roteiro, como já foi dito antes, se for bem trabalhado, pode render uma ótima e nada previsível história.

Mas nada se compara com a minha alegria em relação à nova Avatar. Não me entendam mal, sou uma grande fã de Aang e de todos os seus amigos, mas nesta nova aventura tem algo que pouco se tinha na obra anterior: Humor e Alegria, e isso ocorre por causa do que Aang fez no passado. A obra faz de Korra muito mais carismática que Aang, e não só ela, como também os novos personagens.

Em pouco menos de quarenta minutos Korra fez o impossível: conseguiu dominar quase todos os elementos, conseguiu ser ainda mais carismática que Aang e conseguiu está à altura dele. Se a série continuar neste ritmo poderá ser uma das melhores estreias que acontecerá neste ano em relação a desenho. E deverá receber total atenção, tanto de quem não assistia ao desenho original, quanto de quem já era fã. Seja Bem Vinda Korra!

sexta-feira, abril 06, 2012

O Épico Retorno de Game of Thrones

Power is Power!
 
Depois de longos meses esperando, depois de contar os dias, finalmente, minha série favorita estava retornando para seu segundo ano. E que retorno. Depois de um final de temporada arrebatador com a última Targaryen 'renascendo' do fogo com seus mini dragões, Arya (The Boy) indo a uma jornada rumo à Muralha, pude notar, logo de cara que o protagonista desta temporada será o nosso querido Peter Dinklage que dá vida Tyrion Lannister, pois o seu nome agora aparece em primeiro na apresentação, logo quando começa o episódio, ocupando o lugar do ótimo Sean Bean, que deu vida ao finado Ned Stark.

Falando no duende, Tyrion agora substitui Ned como mão do Rei, assim como ele também dormirá no mesmo quarto em que o Ned ocupava enquanto ainda era vivo, se existia alguma dúvida se ele será nesta temporada os olhos do expectador o roteiro já se encarregou de mostrar que ele será um dos focos desta temporada. Ainda na terra do reino, temos o reizinho gazela Joffrey, fruto do incesto da mãe e do tio, tocando o terror. Pobre Sansa, sofrendo uma espécie de tortura psicológica, misturada com ameaças, está pagando por ter ficado do lado. Quem também não se encontra em uma posição muito confortável é a mamãe da gazela. A rainha Cersei sabe o monstro que colocou no mundo, mas amo aquele olhar dela de que a qualquer minuto irá acabar com a festinha do filho, mas, por favor, deixa isso para Arya, já faz tempo que ela quer dá uma lição nele. Cersei me fez gostar dela neste comecinho de temporada pelo "não se meta comigo" que ela deu no chato do Lord Baelish (só assim ficou calado).

Além dos velhos conhecidos que já brincavam com a dança do trono, conhecemos o irmão mais velho Robert Baratheon, Stannis Baratheon, que quer o trono para ele, e logicamente é dele, uma vez que a gazela saltitante é filho de um incesto. Junto com Stannis conhecemos a Sacerdotisa Vermelha Melissandre que acredita que Stannis é o messias, isso sem falar da forte influência que exerce nele. Cersei ganhou uma concorrente para ver que será a maior "bitch" do seriado.

Enquanto na terra do trono a tensão e opressão tomam conta, o novo rei do norte, Robb Stark, começa a dá os primeiros passos para suceder o pai. Ainda mantendo Jaime Lannister como prisioneiro para tentar trocá-lo por suas irmãs (Arya e Sansa), fazendo importantes reforços para briga, enquanto seu braço direito Theon Greyjoy tenta fazer seu pai aderir à briga, mas acho que ele não irá aceitar participar assim tão fácil da luta. E claro não podemos esquecer a Dany's e seus dragões. Só eu que estou ansiosa para ver estes mini dragões crescerem?!

Terminando o episódio, podemos ver que a fofoca rola solta no reino e o reizinho gazela não gostou nada em saber que é fruto de um incesto e mandou massacrar todos os filhos bastardos do rei Robert Baratheon, e nem o mais jovem bebê escapou da carnificina ordenada por Joffrey. Só que ele nem sabe que existi um último bastardo vivo, Gendry, que está do lado de nossa orphan boy Arya Stark partindo para uma jornada rumo à Muralha, que irá ter importância vital nesta temporada.

Adorei a estreia, e gostaria de deixar aqui um beijo e um abraço a todos da HBO Brasil pela estreia simultânea com a dos USA. Foi perfeita, mas podiam melhorar a legenda!

Coluna de DVD - Revisitando 'O Primeiro Amor'

★★★★ Um Clássico Instantâneo!

Rob Reiner é um diretor que sabe mexer com as emoções do expectador. Sua obra mais famosa (Conta Comigo) é um exemplo claro sobre esta facilidade que o diretor possui. Depois de três anos sumido, Reiner retornar neste clássico que mistura o fator nostalgia de Conta Comigo e a doçura e inocência de A Princesinha.

O filme conta o relacionamento entre dois vizinhos e colegas de escola dos 7 aos 13 anos. Juli apaixona-se instantaneamente por Bryce assim que o caminhão de mudança chega ao bairro, contudo Bryce demora seis anos para descobrir a garota inteligente, generosa e linda que Juli é e, finalmente, sentir o mesmo amor. A história é contada do ponto de vista de ambos, criando aos poucos o universo interior dos dois, e mostrando as atitudes e ponto de vista de meninas e meninos com relação ao sexo oposto.
É incrível a forma como o roteiro sempre remete ao sentimentalismo. Seja ele nos sentimentos dos dois protagonistas, ou seja, ele os sentimentos das famílias dos personagens. Outro ponto interessante é como é contada a história. O filme começa pelo ponto de vista de Bryce, e logo depois as mesmas cenas é contada pelo ponto de vista de Juli. O filme mostra a visão feminina e masculina de cada cena, e dessa forma o filme traz e mostra como são diferentes esses dois universos. Poucos filmes se arriscaram em contar a história dessa forma, e poucos conseguem obter sucesso, e é uma ótima surpresa que o filme de Reiner tenha conseguido, fazendo-o dele uma obra deliciosa e delicada de se assistir. A fotografia do filme é belíssima, principalmente nas cenas em que Juli está na árvore, e a direção de arte está muito bem feita, ambientada nos anos 60, um dos anos mais charmosos do cinema.

Juli é uma das personagens mais carismáticas, doce e gentil que a escassa lista do cinema possui. E a atriz Madeline Carroll acerta no timing de atuação. No decorrer do filme podemos ver o quanto Juli vai crescendo e amadurecendo, e Carroll mostra isso de maneira encantadora. Atriz também consegue uma ótima química com o ator John Mahoney, que faz o avô de Bryce. Da mesma forma que possui uma química excelente com Callan McAuliffe. Definitivamente uma atriz que merece mais destaque nos cinemas.

Bryce por outro lado, vai conquistando o expectador no decorrer do filme. O australiano Callan McAuliffe reflete bem os sentimentos do menino, de todos os meninos, e em como se divergem dos das meninas. Bryce não gosta de Juli desde o momento em que se conhecem, mas percebe-se, logo quando os protagonistas já estão crescidos, que seu sentimento por Juli mudara, mas sendo Bryce um menino, só se dá conta disso lá pela tantas do filme. Como já foi dito antes, ambos os atores possui uma ótima química em cena. Duas ótimas surpresas dessa nova leva de atores e atrizes.

O Primeiro Amor é uma obra encantadora e inocente como muitas poucas. É um filme charmoso e delicado que representa da melhor forma possível este gênero que andava cada vez mais esquecido. Depois de alguns anos sem apresentar um bom trabalho, Reiner nos entrega esta pérola que precisa ser vista e revista no decorrer dos anos. Bem-vindo de volta, o Sr. Reiner!

domingo, março 25, 2012

Crítica do Filme "Jogos Vorazes"

★★★★ Critica social e moral, e uma protagonista feminina poderosa, marcam este novo "fenômeno" cultural! 

Com a saga Crepúsculo chegando ao final, e com o término da era Harry Potter, a indústria cinematográfica precisava de uma nova franquia adolescente de sucesso. Comparar Jogos Vorazes como o próximo Harry Potter e o próximo Crepúsculo, em termos de marketing é válido, contudo, a obra literária de Suzanne Collins possui um caráter maduro, e porque não, um retrato atual da nossa sociedade.

A história se passa em um futuro pós-guerra, onde o país chamado Panem é dividido em 12 distritos. Para exercer seu controle e autoridade sobre as demais cidades, a Capital criou os Jogos Vorazes. Anualmente, no Dia da Colheita, cada distrito deve sortear dois jovens (um de cada sexo) entre 12 e 18 anos para se oferecer como Tributo. Estes jovens serão treinados para participarem de uma luta entre si até a morte, havendo apenas um vencedor. Este evento é transmitido em tempo real pela televisão para todo o país.

Falar que a trama pode ser um retrato da nossa atual sociedade, me refiro a como ela é hoje, auto consumista, tendo como principal entretenimento a manipulação da própria vida de outras pessoas. Os Big Brothers da vida nada mais são do que isso. A trama também é madura ao retratar uma sociedade pobre, onde passar fome e trabalhar é realidade dura daqueles vivem nela. Panem é controlada a mão de ferro por uma Capital extremamente consumista, acostumada a assistir a esse reality show brutal, onde crianças lutam até a morte. Ela é uma sociedade ridícula e extravagante, e mostrar a realidade daqueles em que vivem nela e em como se difere daqueles em que vivem nos distritos paupérrimos, levantam questionamentos interessantes. A trama de Collins traz dois temas que não se vê atualmente em franquias destinadas a um público infanto juvenil, e o filme acerta em retratá-la além do pensamento de Katniss (o livro é narrado em 1ª pessoa), uma vez que o filme mostra o quanto as ações da protagonista reflete nos distritos.

O acerto principal do filme é com certeza a contratação da ótima Jennifer Lawrence para dá vida a Katniss. Lawrence traz um olhar humano e doce à personagem, equilibrando-o ao mesmo tempo com as decisões e pensamentos fortes da mesma. A postura séria carregada de uma dramaticidade sem exageros da atriz lembram sempre de onde ela veio e por que dela está participando dos Jogos. A personagem não poderia está em mãos melhores e este é só mais um acerto desta notável atriz que despontou no ótimo Inverno da Alma, filme independente de 2010 que lhe rendeu indicação ao Oscar.

Josh Hutcherson apesar de não possuir nenhum papel de destaque onde ele possa desenvolver seu talento, foi uma escolha acertada para interpretar Peeta. O perfil dele até combina com o do Peeta e o ator alterna bem os momentos do personagem que ora é inseguro, ora possui vontade não só de viver, mas como também em proteger Katniss. Infelizmente ao lado da Jennifer ele fica apagado, mas nada que comprometa o andamento da trama.

Infelizmente o mesmo não se pode ser dito sobre Liam Hemsworth que interpreta Gale, o amigo de infância da Katniss. É evidente que o australiano não é talentoso, ainda mais dividindo cenas com a atriz. Um erro do filme foi mostrar demais Gale, principalmente nas cenas de Katniss e Peeta. Tá certo que no livro, na parte da caverna, Katniss pensa em Gale, mas no filme fica claro que estavam tentando mostrar que possa existir futuramente um triângulo amoroso, mas é desnecessário trazê-lo constantemente nessas cenas, ficaria melhor mostrá-lo somente no final do filme.

Os veteranos que complementam o elenco do filme também merecem elogios. Woody Harrelson está muito bem como Haymitch, mentor de Everdeen e Mellark. Stanley Tucci interpreta o apresentador Caesar Flickerman, explorando de forma divertida o semblante caricatural de seu personagem, quase como um Pedro Bial, mas sem aqueles textos filosóficos chatos.
Esteticamente o filme está ótimo. Uma trilha sonora bastante sutil foi uma acertada escolha, pois ela combina com o ambiente claustrofóbico dentro da arena onde acontece o jogos e a direção de arte está muito bem feita, harmonizada com a atmosfera da história. Apesar do livro ser violento, o filme não se adentra muito nesta violência, mas sim em mostrar o quão cruel são aqueles jogos, trabalhando o emocional do expectador. Muitos irão comparar Jogos Vorazes com Battle Royale, filme hiperviolento japonês, mas as semelhanças vão até onde ambos os filmes trazem em suas histórias uma batalha onde crianças/adolescentes lutam até a morte, uma vez que o primeiro faz uma critica, o segundo é uma metáfora.

Apesar do marketing apelativo, Jogos Vorazes não subestima o público infanto juvenil atual. O filme abre uma discursão interessante sobre o nosso atual contexto social, onde guerras, a realidade dos países pobres, e os produtos consumidos, que nada mais são que esses realities shows manipulados pela mídia, fazem parte dela. Ver uma obra abrir tal discursão é uma ótima surpresa, ainda mais com uma protagonista tão inteligente e poderosa como Katniss.

sexta-feira, fevereiro 24, 2012

Comentando - 1ª Temporada de The Killing

E então... quem matou Rosie Larsen?


Quando saiu a notícia sobre uma nova série de suspense/detetive confesso que pouco me animei, mesmo sendo uma produção da AMC, berço de ótimas séries como Mad Men, Breaking Bad, e The Walking Dead. Para falar a verdade nunca fui fã de séries como 24 Horas, apesar de ter gostado muito da 1ª Temporada de Homeland, e também nunca fui fã da trupe CSI (são tantos...). A série que mais gosto que segue uma linha 'parecida' neste gênero é Dexter (que já teve seus momentos). Depois de várias criticas dividida, resolvi mesmo relutante, assistir a tão falada 1ª Temporada de The Killing, e eis que me deparo com uma produção de qualidade e de muito potencial, mas que infelizmente se perdeu em suas reviravoltas e mistérios. 

Baseada na série dinamarquesa de sucesso Forbrydelsen, que infelizmente não tive o prazer de assistir, The Killing apresentou bons episódios em sua primeira temporada. Antes de falar do enredo e dos rumos que a série levou, falarei primeiro do ambiente em que é rodada a série. Ambientar a série em uma Seattle fria, cinzenta e chuvosa trouxe um clima necessário para uma série que envolvia um assassinato a ser desvendado. Lembrando claramente as locações do filme sueco, Os Homens que Não Amavam as Mulheres. Cada episódio traz uma sensação de incerteza, insegurança e claustrofobia, e junte isso com uma fotografia belíssima (lembrando a filmes europeus), direção de arte competente e uma ótima trilha sonora, que qualquer um não poderia botar defeito na série, pelo menos, não nos quesitos técnicos.
 
Com uma narrativa lenta, mas já conhecida pelos fãs do canal AMC, The Killing envolve o expectador logo no episódio duplo da série, em que somos apresentados os personagens, a história e claro, ao crime a ser desvendado. E então começa a jornada da série em agradar a crítica, conquistar os fãs e acima de tudo manter uma qualidade atingida no piloto no decorrer da série. Apresentou ótimos episódios como sendo os meus favoristos, 10º e 11º, mas outros acabaram se perdendo nos mistérios e pistas falsas que os roteiristas nos jogaram no decorrer da temporada. Outra coisa que foi abordada na série foi o terrorismo, um tema exaustivamente batido em séries desse tema, que não precisaria existir na série. Outro elemento ruim foi a falta de desenvolvimento aos dois principais detetives. O expectador precisa ser cativado pelos protagonistas e aqui só foi acontecer no 11º, o problema era que eu já estava tão envolvida com o crime que naquela altura pouco me importava a vida dos dois detetives. Mais um erro do roteiro foi se prender a um suspeito por pelo menos cinco episódios da temporada, para depois ele ser inocente.

Com a premissa de que série giraria em torno de um caso específico, The Killing faz a maior burrada em uma série. No último episódio, aquele episódio que todos esperavam a série termina com mais um suspeito inocente, desta vez condenado pela justiça. Ou seja, a série termina sem que o verdadeiro criminoso seja revelado. Foi um episódio bom, mas foi um final decepcionante. Faltou coragem e criatividade para seguir por um caminho diferente, pelo menos para não fazer parte do hall dos remakes que não ficam a altura do original. Infelizmente, a impressão que fica, é que no próximo ano da série veremos mais do mesmo, uma vez que os produtores já garantiram que o mistério de Rosie Larsen será revelado em algum momento (brincadeira, né?!) da 2ª temporada, e que só depois iria ter um novo crime. Uma pena que uma série que começou tão bem, tenha caído tanto a qualidade, merece ser vista, mas fica com a sensação de poderia ter sido mais. Irei retornar para o segundo ano, afinal, ainda quero descobrir quem matou Rosie Larsen!

sábado, fevereiro 18, 2012

Crítica do Filme "O Artista"

★★★★★ Ousado e Nostálgico, mas acima de tudo, Belo!
 
Os anos 20 marcaram o período de transição entre o fim do cinema mudo e a ascensão do cinema falado. Quase 80 anos depois, eis que uma Hollywood sem criatividade se depara com um filme francês, mudo e em preto e branco, que nada mais faz que reviver este passado glorioso. Se Chaplin estivesse vivo, aclamaria o sucesso que o filme faz, ainda mais em uma era cheia de 3D.

Na Hollywood de 1927, o astro do cinema mudo George Valentin (Jean Dujardin) começa a temer se a chegada do cinema falado fará com que ele perca espaço e acabe caindo no esquecimento. Enquanto isso, a bela Peppy Miller (Bérénice Bejo), jovem dançarina por quem ele se sente atraído, recebe uma oportunidade e tanto para traballhar no segmento. Será o fim de sua carreira e de uma paixão?

Lindamente filmado em preto e branco, o filme mescla do dramático para a comédia e depois retorna ao dramático sem jamais se perder. A pouca fala que se tem no filme não incomoda, pelo contrário, são através da imagens e das expressões do atores que envolvem o expectador. Além da homenagem a uma clássica era do cinema, temos claras homenagens a grandes obras da sétima arte, sendo uma delas é o clássico musical Cantando na Chuva.

Jean Dujardin está simplesmente excelente. Seja no carisma ou na dramaticidade de seu personagem, o ator francês nos entrega uma ótima atuação, em filme que nada mais pede que isso. Retratar um personagem de cinema mudo, na minha opinião, é extremamente difícil. Passar uma emoção, sem expressar ao menos uma mera palavra, é um trabalho árduo e totalmente expressivo, algo que Dujardin faz muito bem feito, e se (ainda) existe justiça nesse Oscar, o ator irá levantar a estatueta dourada.

Berenice Bejo esbanja carisma, doçura e elegância com sua personagem. Sua personagem lembra as musas daquela época. Peppy Miller nos conquista pelo seu amor ao grande astro do filme e pela sua determinação em se tornar um estrela. A cena em que a personagem dança com o caso de George entra automaticamente para lista das melhores cenas do cinema. A atriz também foi indicada ao Oscar, mas não será dessa vez que irá levantar a estatueta. E fechando a trinca dos protagonistas, temos o cãozinho Uggie, que ao lado de Dujardin, nos entrega uma das melhores cenas do filme, quando o ator imita o cãozinho.

A direção de arte é absolutamente perfeita, e recria com perfeição o glamour da velha Hollywood, assim como a trilha sonora, quee deverá ser premiada. 

O Artista retrata uma época gloriosa, com carisma, simplicidade e paixão, acaba capturando o coração de qualquer expectador apaixonado por cinema. Em um ano onde prevaleceu à nostalgia, um filme mudo e preto e branco, ainda é ousado, mas acaba sendo um presente e belo espetáculo. Recomendado!